ORCID iD icon

POSTS RECENTES

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Síndrome de Asperger (o Autismo na sua forma mais leve)


Síndrome de Asperger

Eles não suportam barulho, tem dificuldades afetivas, são literais, mas são extremamente inteligentes!

Exemplos de famosos:

Einstein

Messi
Satoshi Tajiri - Pokemon

Estudando síndromes e transtornos que podemos encontrar no campo da Pedagogia, encontrei um vídeo sobre a temática com participação de mães de crianças com a síndrome de Asperger, contando suas trajetórias até o diagnóstico, características individuais de seus filhos, além das participação de uma profissional da área de saúde, explicando sobre questões referentes ao tema e tirando dúvidas.


Vídeo do programa Papo de Mãe sobre Asperger
Programa apresentado por Mariana Kotscho e Roberta Manreza na TV Brasil.



Um pedacinho (legendado) do filme Mary e Max, comentado por umas das mães no final do vídeo.


Sinopse: 

Mary Daisy Dinkle (Toni Collette) é uma menina solitária de oito anos, que vive em Melbourne, na Austrália. Max Jerry Horovitz (Philip Seymour Hoffman) tem 44 anos e vive em Nova York. Obeso e também solitário, ele tem Síndrome de Asperger. Mesmo com tamanha distância e a diferença de idade existente entre eles, Mary e Max desenvolvem uma forte amizade, que transcorre de acordo com os altos e baixos da vida. 

Sobre o documentário "Sementes do nosso quintal"


O longa fez parte da 36º Mostra Internacional de São Paulo 
e foi eleito pelo público o melhor documentário brasileiro. 

SINOPSE: O filme retrata o cotidiano de uma escola de educação infantil sem precedentes que, através do pensamento-em-ação de sua idealizadora, a controversa e carismática educadora Therezita Pagani, nos revela o potencial estruturante da educação infantil verdadeira, firme e sensível.


Todos os trailers em Videocamp


Therezita Pagani, 2018 (Te -Arte)
Imagine uma escola que é a cara de casa de vó! Essa é a escola da Tetê! Aqui impera o lúdico, o protagonismo infantil, o respeito pela fase de desenvolvimento de cada criança, o reconhecimento pelas suas vitórias. Todo o processo de aprendizagem parte do lúdico, da criatividade, reforça a ideia da importância de aprender brincando, valorizando o coletivo. 

Na Te-Arte, localizada no bairro do Butantã, em São Paulo (SP), não há a velha formatação da sala de aula convencional em que alunos ficam engessados na cadeira, debruçados em livros, seguindo uma rotina rígida e mergulhada em formalidade. Nesta escola, a criança tem liberdade de expressar seus sentimentos, suas frustrações, experimentar, explorar seu campo sensorial, descobrir e explorar.

Aqui não há estrutura moderna e repleta de vidros e paredes que segregam turmas por idades, não mesmo! Com Tetê, a turma aprende unida, brinca com os bichos, aprende a valorizar a natureza, pega na terra, aprende o que é certo ou errado conforme suas ações e a dos outros, leva bronca quando precisa, fazem trabalhos manuais, passam de forma natural pelo processo de autoconhecimento, descobrem habilidades musicais e muito mais. 

Mas quem disse que apenas os pequenos usufruem dessas lições? A família também participa de todo o processo! Além do que, como uma grande lição de vida, Tetê com sua simplicidade nos fala e mostra realidades que por convenção esquecemos, que crianças precisam ser ouvidas, precisam de limites e sobre os laços familiares que sempre devem ser reforçados.

Quem ainda não assistiu esse documentário, deve assistir! 

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Malala (Adriana Carranca) e Projeto Elo 3

Malala – A menina que queria ir para a escola Adriana Carranca, 96 p. - Companhia das Letrinhas

Sinopse: 


Malala Yousafzai quase perdeu a vida por querer ir para a escola. Ela nasceu no vale do Swat, no Paquistão, uma região de extraordinária beleza, cobiçada no passado por conquistadores como Gengis Khan e Alexandre, o Grande, e protegida pelos bravos guerreiros pashtuns – os povos das montanhas. Foi habitada por reis e rainhas, príncipes e princesas, como nos contos de fadas. Malala cresceu entre os corredores da escola de seu pai, Ziauddin Yousafzai, e era uma das primeiras alunas da classe. Quando tinha dez anos viu sua cidade ser controlada por um grupo extremista chamado Talibã. Armados, eles vigiavam o vale noite e dia, e impuseram muitas regras. Proibiram a música e a dança, baniram as mulheres das ruas e determinaram que somente os meninos poderiam estudar. Mas Malala foi ensinada desde pequena a defender aquilo em que acreditava e lutou pelo direito de continuar estudando. Ela fez das palavras sua arma. Em 9 de outubro de 2012, quando voltava de ônibus da escola, sofreu um atentado a tiro. Poucos acreditaram que ela sobreviveria. A jornalista Adriana Carranca visitou o Vale do Swat dias depois do atentado, hospedou-se com uma família local e conta neste livro tudo o que viu e aprendeu por lá. Ela apresenta às crianças a história real dessa menina que, além de ser a mais jovem ganhadora do prêmio Nobel da paz, é um grande exemplo de como uma pessoa e um sonho podem mudar o mundo.

A ativista paquistanesa Malala Yousafzai defende a educação e inspira outros jovens pelo mundo!

Sua história ressalta questões como educação, igualdade de gênero, incentivo à leitura, empoderamento feminino, igualdade de oportunidades entre gêneros, etc. Fiz este post depois de encontrar o projeto Elo 3 na web, que deve ser difundido e inspirar outros professores ou mesmo discentes da área de educação.

Atividades relacionadas: Projeto da Elo3 em escolas. 



O livro escrito por Malala pode ser baixado no link Malala - Lelivros

Estudo: Práticas Cotidianas na Educação Infantil (2009) - Parte 1

Obra de Donald Zolan
Estudo do documento: PRÁTICAS COTIDIANAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL - BASES PARA A REFLEXÃO SOBRE AS ORIENTAÇÕES CURRICULARES POR MARIA CARMEN SILVEIRA BARBOSA. (Parte 1 - até a página 18)


Documento escrito em especial para as professoras e professores de Educação Infantil que trabalha com a formação e a educação de crianças de 0-6 anos. Objetivo central do trabalho da autora é problematizar, inspirar e aperfeiçoar as práticas cotidianas realizadas nos estabelecimentos educacionais de educação infantil. Segundo a autora, as características da faixa etária das crianças exigem conceber um outro tipo de estabelecimento educacional e revisar alguns conceitos naturalizados em nossa sociedade sobre escola, infância, conhecimento e currículo.


Obra de Donald Zolan
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera as pessoas de até 12 anos de idade incompletos como crianças, este documento, voltado para a educação de crianças de 0 a 6 anos.

Reflexão do texto:
  • Quais são as funções específicas de uma escola que atende bebês e crianças bem pequenas?
  • Quais as estratégias consideradas adequadas ao trabalho pedagógico com crianças pequenas?
  • Que possibilidades de conhecimento podem ser propiciadas para as crianças?
  • Quais as relações de aproximação e de diferenciação dos papéis da escola e da família? 

Adquira o texto completo: Estudo completo

Obs. da autora: "As pesquisas no campo educacional sobre a pedagogia para a educação de bebês e crianças bem pequenas em ambientes coletivos e formais são recentes no país e quase inexistem publicações que abordem diretamente a questão curricular nesse primeiro nível da educação básica. Geralmente as legislações, os documentos, as propostas pedagógicas e a bibliografia pedagógica privilegiam as crianças maiores e têm em vista a adaptação da educação infantil ao modelo convencional que orienta os sistemas educacionais no país." 


Obra de Donald Zolan
É imprescindível: "Refletir sobre o modo de realizar a formação de crianças pequenas em espaços públicos de educação coletiva significa repensar quais as concepções a defender em um estabelecimento educacional. Ao mesmo tempo, impõe considerar quais são suas funções, de que maneira pode organizar seus modelos de gestão e sua proposta pedagógica, assim como instiga a se deter em qual será seu currículo, tendo em vista a perspectiva de um longo processo de escolarização." 



PONTOS RESSALTADOS PARA ANÁLISE
  • Reflexão sobre as diferentes infâncias (indígenas, quilombolas, ribeirinhas, urbanas, do campo, da floresta);
  • Definição das bases curriculares nacionais;
  • Constituição de pedagogias específicas para essa etapa da educação básica;
  • Afirmação da importância do trabalho docente a ser realizado em creches e pré-escolas por professores com formação específica. 

1. A ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL NOS CONTEXTOS CONTEMPORÂNEOS

1.1 Uma sociedade em transformação
  • As mudanças na sociedade são contínuas, porém nunca na amplitude e velocidade como estão acontecendo agora. 
A internet nos propiciou inúmeras facilidades, as pessoas estão conectadas em tempo real, as informações são difundidas rapidamente, assim como são facilmente transformadas e disseminadas. 

Antes, se davam de modo lento e eram incorporadas gradativamente pelas populações através das gerações. A partir da segunda metade do século XX, as alterações começaram a se intensificar e a incidir em diferentes campos da vida, sejam elas tecnológicas, científicas, religiosas e políticas o que vem causando alterações no comportamento humano.

Mídia e consumo - responsável por estabelecer um estilo de vida, onde sempre há uma nova necessidade a ser atingida, um novo objeto a ser consumido.

A interação com o mundo promove significativas mudanças e as mídias passam a configurar novas maneiras para o indivíduo utilizar e ampliar suas formas de expressão.

Mudanças no tipo de vida: pautado na incerteza, provoca nas pessoas a necessidade de tranquilidade e vínculos fortes com intuito de evitar a ansiedade causada pela instabilidade.

Sociedades mais tradicionais ofereciam a segurança, a proteção e a estabilidade, em contra partida dificultavam, e muitas vezes impediam, as transformações, a criatividade e a liberdade.

Porém na atualidade, são enfatizadas para os indivíduos, suas infinitas possibilidades, suas capacidades de pensar e realizar, em curto prazo, desejos e projetos. Todavia, são abandonados à solidão, à exclusão, à desigualdade social e econômica, à competitividade.

Ricardo Ferrari – Quintal (2013)
Na perspectiva da integralidade: torna-se sem sentido quando não se tem uma perspectiva de pertencimento, de convívio com os outros em temporalidades longas.

👉 O que é o processo educacional?

O processo educacional, principalmente aquele presente nos sistemas de ensino, é uma decisão política acerca do futuro de uma sociedade. É preciso pensar projetos educacionais que possam, em sua complexidade, dar conta tanto das necessidades de segurança, proteção e pertencimento, quanto das de liberdade e autonomia.

👉Qual a função da educação infantil nas sociedades contemporâneas?

Possibilitar a vivência em comunidade, aprendendo a respeitar, a acolher e a celebrar a diversidade dos demais, a sair da percepção exclusiva do seu universo pessoal, assim como a ver o mundo a partir do olhar do outro e da compreensão de outros mundos sociais.

Os pais precisam compreender que a escola não é depósito de crianças, e que os professores não são responsáveis por ensinar valores morais e menos ainda, professoras de creche/auxiliares não são babás. O enfoque da presença da criança não é assistencialismo. Nesse espaço educativo, as crianças aprendem rotina, socialização, compartilhar e tantos outros quesitos fundamentais para cidadania.

👉Como deve ser a concepção dos processos educacionais?

É preciso pensar projetos educacionais que possam, em sua complexidade, dar conta tanto das necessidades de segurança, proteção e pertencimento, quanto das de liberdade e autonomia.

As atividades propostas devem ser bem planejadas, não tem como objetivo ocupar as crianças sem intencionalidade, vai muito além. Educar e não 'catequizar' ou 'manejar'. Desenvolver potencialidades, promover autoestima e autoconhecimento. 

👉Qual a função da educação infantil nas sociedades contemporâneas?

Possibilitar a vivência em comunidade, aprendendo a respeitar, a acolher e a celebrar a diversidade dos demais, a sair da percepção exclusiva do seu universo pessoal, assim como a ver o mundo a partir do olhar do outro e da compreensão de outros mundos sociais.

👉No que compromete a função da educação infantil nas sociedades contemporâneas?

Implica em uma profunda aprendizagem da cultura através de ações, experiências e práticas de convívio social que tenham solidez, constância e compromisso, possibilitando à criança internalizar as formas cognitivas de pensar, agir e operar que sua comunidade construiu ao longo da história.

👉O que pode ser feito como intervenção na educação infantil?

Práticas sociais que se aprendem através do conhecimento de outras culturas, das narrativas tradicionais e contemporâneas que possam contar sobre a vida humana por meio da literatura, da música, da pintura, da dança. Contação de histórias coletivas de outras culturas que, ao serem ouvidas, se encontram com as histórias pessoais, alargando os horizontes cognitivos e emocionais através do diálogo, das conversas, da participação e da vida democrática.

👉Já nascemos sabendo nos relacionar com outras pessoas?

Embora sejamos biologicamente sociais, precisamos, no convívio, aprender as formas de relacionamento. Portanto, não nascemos sabendo nem mesmo socialização, a desenvolvemos através de convívio aprendemos formas de relacionamentos.

👉Qual papel da Educação Infantil nesse processo de interação social?

É uma grande tarefa da educação da primeira infância, realizar nas suas práticas cotidianas embasadas no que a cultura universal oferece de melhor para as crianças.

👉Como ocorrem as concepções de educação?

Não acontecem simplesmente na transmissão da informação, neutra e direta. Ocorrem através das tarefas do dia-a-dia que realizamos junto com as crianças, produzindo e veiculando concepções de educação que são efetivadas nas vivências e ações cotidianas nos estabelecimentos de educação infantil com um significado ético. Por exemplo: por intermédio de conversas, da resolução de conflitos, dos diálogos, da fantasia, das experiências compartilhadas com intuito de tornar o mundo mais acolhedor.

👉E se as concepções de educação fossem ocorridas de forma simples, neutra e direta?

Já teríamos resolvido a crise educacional brasileira, mas se efetivam em vivências e ações cotidianas nos estabelecimentos de educação infantil, pois têm significado ético.

👉 Processo de socialização contextualizado:


Ao longo dos anos, as crianças tiveram como ambiente de socialização inicial a família. Nasciam e cresciam cuidadas basicamente por suas mães e pais, avós e tios, irmãs e irmãos mais velhos. Suas interações com outras crianças eram feitas através das brincadeiras de rua, com os parentes e vizinhos. As famílias e as comunidades tinham hábitos, rituais e formas de educação que eram transmitidos de modo muito específico.

Nas cidades, vilas e aldeias pequenas, os comportamentos bastante padronizados e controlados socialmente. Assim, os processos de socialização das crianças eram bem definidos e sintonizados com o contexto de sua cultura local. Após longo convívio, basicamente com familiares e vizinhança, as crianças tinham uma segunda experiência de socialização apenas ao ingressarem no ensino fundamental (média de sete anos), recebiam as influências de suas tradições familiares e da vizinhança, ampliavam suas vivências com as experiências que a escola e a comunidade (convívio com professoras, colegas e outras famílias) poderiam oportunizar.

Na escola tinham a oportunidade de ter contato com o universo científico, artístico, cultural, tecnológico, ou ainda acesso a conhecimentos, experiências e vivências que não seriam possíveis em suas famílias. Em muitos casos, esses conhecimentos e experiências auxiliavam as crianças a problematizarem seus modos de ser, pensar, fazer. A escola ainda cumpre esse papel em muitos lugares do Brasil, principalmente em regiões como campos, florestas, áreas ribeirinhas ou em pequenas cidades do interior ou do litoral.


👉 Como se dá, atualmente, a socialização das crianças? 

Os meios de comunicação, a cidade e as tecnologias audiovisuais, influenciarem nos modos como as crianças aprendem a realizar sua participação na cultura. Sociedades complexas (mundializadas e midiatizadas), no mundo urbano contemporâneo, a socialização das crianças ocorre ao mesmo tempo no meio próximo, familiar e em um ambiente social, o estabelecimento educacional.

Ao ingressarem na escola, começam a conviver com adultos e outras crianças que não pertencem às suas famílias e que possuem hábitos, modos de falar, brincar e agir algumas vezes muito diferentes dos seus.

Nas relações que estabelecem com muitas pessoas e nas experiências concretas de vida diferenciadas, com grande presença dos meios de comunicação social que trazem mundos distantes para dentro das casas. Isso abre perspectivas para a aprendizagem de configurações de outros modos de socialização. As crianças, com experiências ampliadas, aprendem a viver e a conhecer um mundo permeado pela pluralidade desde muito cedo. Desse modo, se faz com a construção de identidade(s) múltipla(s) e com possibilidades de pertencimento ampliadas.

👉Além das mudanças sociais, que provocaram outro modo de analisar a socialização das crianças, também há as concepções sobre os processos verticais de socialização que vêm sendo colocados em discussão nas últimas décadas. 

Obra de Karl Ernst Papf
👉 Por que durante muitos anos, a socialização foi percebida como um processo hierárquico?

Porque possuía uma direção vertical descendente, na qual os adultos ocupavam o vértice superior e as crianças o inferior. O sentido era sempre de cima para baixo. Nessa perspectiva, as crianças chegavam ao mundo sem nada saberem, concebidas como seres incapazes, enquanto os adultos eram responsáveis por apresentarem o mundo para elas. Essa situação deveria resultar na incorporação passiva de um mundo dado e definitivo, desconsiderando as possibilidades de resistência das crianças a esse modelo. Essa visão de socialização pressupunha uma concepção de aprendizagem como um movimento do mundo externo em direção ao interno dos seres humanos. 

Nos últimos anos, essa relação unidirecional do processo de socialização passou a ser questionada. Porque os conhecimentos científicos que temos hoje sobre os bebês indicam que, desde muito pequenos, mesmo antes do nascimento, já estão em relação com o mundo. Também as mudanças nos costumes demonstraram que as crianças não são passivas: elas observam, tocam, pensam, interagem o que nos possibilita afirmar que elas sempre foram ativas em suas interações com as pessoas adultas e os meios em que estavam situadas, mas a sociedade não reconhecia essa participação.

Thaïs Vanderheyden 
👉 Como o mundo material e simbólico é oferecido à criança?

Através das pessoas, da cultura, dos alimentos, da natureza e é certo que ela o incorpora. Porém, a criança não o compreende a partir da lógica adulta, pois com ele se relaciona de modo particular.

Partindo desse princípio, devemos nos atentar para o olhar infantil, despido de malícia adulta. Mudar nosso olhar e tentar compreender como as crianças enxergam o mundo, perceber sua naturalidade ao lidar com o mundo. Adultos esquecem como é ser criança e tentam impor que crianças enxerguem o mundo adulto antes do tempo.

👉 Como as crianças compreendem esse mundo material e simbólico?

As crianças, em suas brincadeiras, em seus modos de falar, comer, andar, desenhar, não apenas se apropriam com o corpo, a mente e a emoção daquilo que as suas culturas lhes propiciam, mas investigam e questionam criando, a partir das tradições recebidas, novas contribuições para as culturas existentes.

👉Ao falarmos de socialização, estamos também discutindo uma compreensão sobre processos de aprendizagem. Como se dá essa relação?

Ideologia limitada e ultrapassada: Pregava que as teorias de aprendizagem, elaboradas ao longo dos anos, subsidiaram as idéias de socialização e, através delas, também eram pensadas. Compreendiam que, ou os seres humanos nasciam fadados a um destino (independentemente das ações e experiências que tivessem) ou ao nascer, não possuíam nenhuma capacidade nem referência e que o mundo ao seu redor as modelava.

Ideologia Interacionista e dialógico: Promove tanto as mudanças no conceito de socialização quanto no conceito de aprendizagem. Elas estão enraizadas em outros modelos de compreensão dos seres humanos e das relações sociais. Pensar os seres humanos como sujeitos de interações e a sociedade como uma democracia exige conceber a socialização e a aprendizagem numa relação dialógica.


👉A família, por exemplo, foi uma das instâncias de socialização que sofreu grandes mudanças nos modos de ser concebida ao longo dos três últimos séculos no ocidente.

Família tradicional ou nuclear: Considerada o modelo adequado para avaliar, compreender e pesquisar as famílias. Comuns em livros didáticos, fotos de propagandas e nos demais discursos que possuem vitalidade em nossa sociedade. 

Pseudo-famílias Margarina: Usadas na televisão, propaganda e também na religião e da justiça – podemos verificar que as famílias são representadas como grupos de pessoas, geralmente ligadas por laços sanguíneos, que incluem um homem, uma mulher e crianças, na maioria das vezes um menino e uma menina. O homem é o responsável pelo sustento material da família e a mulher pela reprodução e organização da vida familiar. 

Apesar dessa família não ter tido no Brasil uma existência real, ela ainda está presente em grande parte do imaginário nacional. 


Isso vai de encontro com a realidade social, mas por que as pessoas ainda não aceitaram que o quadro "Família Margarina" não existe mais?

Contudo, se olharmos com atenção ao nosso redor e se lermos atentamente as estatísticas, veremos que essa composição, além de não ser natural, nunca foi predominante, e vem sendo substituída por uma pluralidade radical de formações familiares como a monoparentalidade e a homoparentalidade, tornando explícito o diálogo transformativo inerente aos processos sociais. 


A realidade das famílias no mundo vem sofrendo modificações, ainda não plenamente aceitas - ainda há muita resistência quanto à quebra de padrão (imaginário), o que muitas vezes alimenta apenas a intolerância e a violência institucional.

Se as mulheres lutaram, e lutam ainda, para romper com o modelo único de família e a fixidez do lugar social a elas determinado, foi a partilha da educação das crianças com a escola que pode tornar viável novas configurações e organizações familiares. Ou seja, a igualdade dos direitos entre homens e mulheres na sociedade só poderá se consolidar se as instituições sociais tiverem novas significações. Dentre as instituições sociais que mais contribuíram para a possibilidade de constituição de novas oportunidades para as mulheres na sociedade e de formas alternativas de realizar a maternidade estão as creches e as pré-escolas. Afinal, elas desempenham um importante papel na liberação das mulheres como principais responsáveis pela educação das crianças pequenas. 

CRECHES - Objetivo primário: foram criadas pelas necessidades econômicas do capitalismo industrial com o objetivo central de substituir as atividades maternas enquanto as mães trabalhavam, tornaram-se, nesse momento, parceiras das mulheres na sua busca pelo exercício de outras funções sociais. 

Reinvenção das escolas de Educação Infantil: 

As escolas infantis foram sendo reinventadas, desde meados do século XX, para se tornarem colaboradoras dos homens e das mulheres contemporâneos na educação e cuidado das crianças. O modo como os estabelecimentos de educação infantil são organizados já demonstram o quanto foram pensados para, além de propiciarem às crianças espaços para as aprendizagens, realizar, em um espaço público e de vida coletiva, ações para o cuidado e a educação das crianças que sempre foram consideradas como da vida privada: a alimentação, a higiene e o repouso. 


IMPRESCINDÍVEL A INTEGRAÇÃO: FAMÍLIA, SOCIEDADE E ESCOLA

A situação de compartilhar a educação das crianças traz a necessidade social de um diálogo contínuo entre família, sociedade e escola. Ambas necessitam determinar os papéis de cada uma – o que compete à escola e o que compete às famílias – considerando a impossibilidade de haver uma regra única. As atribuições nascem das necessidades e das possibilidades de ambas as instituições e do diálogo entre elas. A isso denominamos colaboração entre as partes.

sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Brazil Conference at Harvard & MIT com Anitta



Entrevista Completa com a cantora Anitta durante a Brazil Conference at Harvard & MIT 2018


Uma mulher poderosa, que conquistou seu espaço no Brasil e decolou pelo mundo. Gostar ou não do tipo de música dela, é pessoal. Mas não há como ignorar suas ideias, competência e posicionamento. Eu gosto, danço (mesmo sem saber dançar...) suas músicas. Porém, sempre a vi como uma mulher estrategista e extremamente inteligente. Sem discurso demagogo, sem encher linguiça, vale a pena conferir esse vídeo.

O que Anitta ensina, apesar de muitos insistirem em dizer que a cantora é uma má influência.

"Estudar é fundamental!"

terça-feira, 21 de agosto de 2018

Pedagogia nossa da desigualdade social


O Sistema Educacional no Brasil é constituído com base nos interesses do governo, pois seus objetivos são vinculados à política da dominação. É fácil compreender na prática, mesmo com uma análise superficial do nosso ensino público, pois vastos são os materiais encontrados na internet, tais como vídeos, documentários, artigos e outros.

De quem é o interesse na manutenção de uma educação sucateada?

Um país tão rico como o Brasil imerso numa pobreza sem fim e nada do que é feito, é suficiente, por que? 


Muita corrupção, muita alienação e nada de senso crítico ou participação popular nos problemas e causas sociais que realmente importam. Quais as preocupações do povo? Tanta reclamação por falta de condições dignas de viver, buscam culpados... 

... mas quais atitudes estamos tomando?

Pensamento simples: Se você tem acesso a uma escola que te estimula a pensar (formação de senso crítico), então fica fácil exercitar a mente para conteúdos de suma importância que te permita ingressar no mercado de trabalho e competir com chances equivalentes, e mais, fazer análise das estruturas de base como política, saúde e educação, participar de modo ativo e consistente. Mas como são nossas escolas?


Fomos 'ensinados' a ser obedientes, a seguir a cartilha sem racionalizar nossas ações e nosso comportamento. Somos instigados a querer ter o que o nosso dinheiro não pode comprar, vivemos reféns do consumismo, precisamos ter! E depois que adquirimos tais bens ou produtos, passa a fase da ostentação e então, lembramos do que realmente precisávamos. Pessoas se deprimem, compram problemas para ostentar uma vida que não lhes pertence. O Instagram está cheio de vida fictícia ou mesmo páginas do Facebook. A classe dominante cria e a popular investe. Educação para quê?

Acho engraçado, aqui a modinha da vez é o "politicamente correto",  preocupam-se em demonizar algumas coisas, porém ninguém demoniza a corrupção. Com essa história demagoga, não vejo a naturalização da orientação sexual, nem das questões de gênero ou raça, ou outras lutas em evidências. Assisto pessoas querendo usar essas causas em benefício próprio e não de um todo como deve ser. Tantas questões para discutir e a atenção sempre é desviada de uma forma indevida, cabe aqui este trocadilho.

O Brasil indo para o buraco e as pessoas se preocupando com pessoas que estão fazendo seu momento, culpo elas? Jamais. Quem está na m#$*¨precisa ser esperto para aproveitar a atenção que lhe é cedida e prosperar. Nesse caso, pagamos para vê-los, diferente de políticos, que são empregados do povo e ganham salários de 5 a 6 dígitos e como se não bastasse isso, são cobertos de regalias... Se são tão bem pagos, por que o trabalho deles não tem efeito na vida da população?
"Salário de R$ 33.763, auxílio-moradia de R$ 4.253 ou apartamento de graça para morar, verba de R$ 101,9 mil para contratar até 25 funcionários, de R$ 30.788,66 a R$ 45.612,53 por mês para gastar com alimentação, aluguel de veículo e escritório, divulgação do mandato, entre outras despesas. Dois salários no primeiro e no último mês da legislatura como ajuda de custo, ressarcimento de gastos com médicos." (Congresso em Foco)

Pelo amor de Deus, e o povo só se f&*#??


Se pensarmos em ...

Alimentação: Um país como o Brasil, riquíssimo em biodiversidade, não consegue suprir a fome de seu povo. A quantidade de pesquisas sobre fome e miséria são absurdas, geralmente o problema se dá por questões político-sociais. 

Saúde: O SUS é, na teoria, o melhor programa do mundo. Porém não funciona efetivamente. Poderíamos ter uma saúde de primeiro mundo.

Educação: Temos escolas gratuitas da Educação infantil ao Ensino Médio, porém sucateadas, com professores muitas vezes mal preparados e mal remunerados, que impossibilita o acesso à Educação Superior em instituições públicas, porque as provas de acesso (vestibular e Enem) são excludentes. 

Se você sai de uma escola pública sucateada e compete com um aluno de uma escola particular, quem tem mais chances de entrar no nível superior? 


O aluno que vem da escola pública que pode ter até uma estrutura física péssima ou às vezes até simpática, porém mal aprendeu a ler, interpretar e fazer contas básicas 

ou

aquele aluno que veio da escola particular, muitas vezes com estrutura de shopping center, que teve acesso à viagens, atividades extras (Kumon, cursos de língua estrangeira, etc), fez atividades físicas (tênis, judô, natação, balé, etc.), tem acesso a terapia, lanche diários na escola, refeições 'de verdade', acesso à médicos sempre que necessário...

Educação, claramente, se tornou mercadoria!


Emprego: Aqui temos bem definidos os contornos, fala-se em meritocracia. Analisando a situação acima, que é refletida no contexto da empregabilidade, quais as chances do aluno de escola pública conquistar um excelente emprego e sair vitorioso ante uma concorrência por puro mérito? Será que cabe aqui o fator 'sorte' para uns? Sem contar que, concurso público entrou em escassez, o intento é terceirizar para pagar menos e sucatear instituições como Caixa Econômica, por exemplo, que todos sabemos estar na corda bamba.

Lazer: Acesso à arte e cultura, considerado artigo de luxo. Se não há recursos para prover o básico, então esse quesito é mais que limitado.

Aposentadoria: Se tornou sonho até para funcionários públicos.

Um pouco da História da Educação...



Fazendo um breve paralelo com a história, lembramos que o ponto de partida da educação no país foi com os jesuítas, em que a catequização não era um processo altruísta, mas sim de controle (índios domados e alienados não causariam problemas). Os Jesuítas foram expulsos de Portugal e das suas colônias em 1759, e no Brasil teve um enorme impacto na educação, aqui foi aberto um longo período em hiato. Lembrando que para os portugueses, a escola tinha que estar a serviço do Estado e não da fé.


Anos depois, com a vinda da família Real em 1807, a educação popular foi ignorada e para suprir interesses reais, surgiram: academia militar, curso superior (direito, engenharia, medicina), Biblioteca, imprensa, etc. Já em 1824, outorgada a Constituição Brasileira e no art. 179, foi declarado o direito de instrução primária gratuita para todos os cidadãos, porém o que temos é uma precária educação básica que vigora até hoje. 

Na década de 1920, após a Primeira Guerra Mundial, a educação passou por um processo de renovação no setor educacional. Educadores criticavam o modelo passivo de ensino que vigorava, onde os alunos eram vistos como 'folhas em branco', ou seja, eram meros receptores dos conhecimentos do professor (Educação Bancária de Paulo Freire).

Como prova desse descaso, o relatório de Lino Coutinho (Ministro do Império) mostrava os péssimos resultados da implantação da Lei de 1927 (sobre a instrução pública nacional do Império do Brasil, estabelecendo que “em todas as cidades, vilas e lugares populosos haverá escolas de primeiras letras que forem necessárias”). Um belo discurso estava impresso na ideologia, contudo sem recursos para criação de condições para existência das escolas e para o trabalho dos educadores. 



Revolução de 1930 - Marco referencial para mudança no perfil do modo de produção brasileira, adoção do Capitalismo, com isso investimento no mercado interno e na produção industrial. Para que investir na educação? Simplesmente, pela necessidade de mão de obra especializada. 
Seguindo a história...

Em 1931, implementação da reforma educacional pelo Ministério de Educação e Saúde Pública,  a implementação de um currículo enciclopédico, a primeira aparição do currículo nas leis e reformas educacionais, frequência obrigatória nas aulas e dois ciclos (fundamental e complementar, obrigatórios para o ingresso ao nível superior).


Partir para Era Vargas (1931-1945): A educação institucional ganhou contornos e a Escola Nova imperou, todavia este período foi composto por uma sucessão de projetos que pareciam expandir os direitos da classe trabalhadora, mas que analisados na prática, apenas concediam privilégios às classes dominantes. 


Anos depois, no período militar (1964-1984), o governo federal reduziu as verbas da educação e por intermédio da Carta de 1967, abriu as portas para educação privada. 

Houve a ampliação do estudo obrigatório de 4 para 8 anos; apoio à pesquisa e à pós-graduação; ...

Mobral em Piquete Foto publicada no Jornal "O Estafeta"
Criação do MOBRAL para erradicar o analfabetismo (que não deu certo) e nesse contexto, censura contra disciplinas como História, Geografia, Filosofia e Sociologia.

E na atualidade, repetir esse ato não é mera coincidência, pois um povo que não conhece sua história, não tem conhecimento de ideologias e movimentos históricos em prol de uma causa fundamental como a educação, prossegue alienado, sem questionar, sem visão crítica. E para quem isso é importante?? Sem acesso à história do Brasil, não há como fundamentar nossas opiniões, é preciso ler o contexto para formar ideias com embasamento. Certamente, não obter conhecimento histórico só é bom para um grupo e não é o povo. 

Surgiram os movimentos de censura contra educadores e eclodiram cursos profissionalizantes. Em 1969, o Regime por meio da Emenda Constitucional nº 1, que previa em seu artigo 176 que “Respeitadas as disposições legais, o ensino é livre à iniciativa particular, a qual merecerá o amparo técnico e financeiro dos Poderes Públicos, inclusive mediante bolsas de estudos”. 

A partir de 1985, início da Nova República com o governo de José Sarney, período de redemocratização do país. A repressão aos educadores já não era tão escancarada como acontecia no Regime Militar. Nesta fase, o Movimento Brasileiro de Alfabetização – MOBRAL é substituído pelo Projeto Educar, que desenvolvia ações diretas de alfabetização, realizava a supervisão e o acompanhamento dos recursos oriundos das ONGs e empresas junto às Secretarias de Educação e as Instituições de Ensino. 

Em 1886, aconteceu a Conferência Brasileira de Educação é realizada em Goiânia, onde o Conselho Federal de Educação reformula o núcleo comum e os currículos do ensino de 1º e 2º graus. Foi aprovada a inclusão de matérias ao currículo por via legislativa. 

Em 1987, é extinta a Coordenação de Educação Pré-Escolar (COEPRE) e o Programa Pré-Escolar passam a ser coordenado pela Secretaria de Ensino Básico do Ministério da Educação e Cultura. 

Em 1988,  houve redução de investimento na Educação, levando as escolas públicas brasileiras a uma situação calamitosa. 
Ulysses Guimarães e a Constituição de 1988

Constituição de 1988, a Constituição Cidadã: Promulgada após o final do Regime Militar. Nela, surgiram preocupações referentes à educação básica. A educação como direito de todos e dever do estado e da família, Ensino Fundamental gratuito, também aumento das responsabilidades do Governo com educação, dentre outras questões. Leia mais em Politize

Na teoria tudo é lindo...

Depois disso, por voto direto, temos Collor (1990-1992), Itamar Franco (1992-1994), FHC (1994-2002); Lula (2002-2010); Dilma (2011-2016) e atualmente Temer. Tantas mudanças, mas nada que concretize benefícios reais, tais como a redução na desigualdade social ou melhora nas condições de vida da população.


Enfim, o que ainda temos é a pedagogia da manutenção de desigualdade social. E para mudar, será necessária participação popular, reação do povo contra a deterioração das escolas, melhor capacitação dos professores (não se limitar apenas a formação, mas dar continuidade aos estudos, inovar sempre). Vale ressaltar a necessidade de questionamento quanto às práticas em sala de aula, pensar se seguir a cartilha e manutenção da velha mecânica de lecionar é o bastante para a promoção de um trabalho bem feito. O papel do professor é mais do que 'vomitar' conteúdo na sala de aula, é preciso dar novos significados aos velhos conceitos, provocando o aluno a ultrapassar suas limitações e alcançar potencialidades, estimular a criticidade, criatividade e a reflexão dos problema sociais como cidadãos. Pois o aluno de hoje é o eleitor de amanhã. 

Ver artigos: