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quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Estudo: Práticas Cotidianas na Educação Infantil (2009) - Parte 1

Obra de Donald Zolan
Estudo do documento: PRÁTICAS COTIDIANAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL - BASES PARA A REFLEXÃO SOBRE AS ORIENTAÇÕES CURRICULARES POR MARIA CARMEN SILVEIRA BARBOSA. (Parte 1 - até a página 18)


Documento escrito em especial para as professoras e professores de Educação Infantil que trabalha com a formação e a educação de crianças de 0-6 anos. Objetivo central do trabalho da autora é problematizar, inspirar e aperfeiçoar as práticas cotidianas realizadas nos estabelecimentos educacionais de educação infantil. Segundo a autora, as características da faixa etária das crianças exigem conceber um outro tipo de estabelecimento educacional e revisar alguns conceitos naturalizados em nossa sociedade sobre escola, infância, conhecimento e currículo.


Obra de Donald Zolan
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera as pessoas de até 12 anos de idade incompletos como crianças, este documento, voltado para a educação de crianças de 0 a 6 anos.

Reflexão do texto:
  • Quais são as funções específicas de uma escola que atende bebês e crianças bem pequenas?
  • Quais as estratégias consideradas adequadas ao trabalho pedagógico com crianças pequenas?
  • Que possibilidades de conhecimento podem ser propiciadas para as crianças?
  • Quais as relações de aproximação e de diferenciação dos papéis da escola e da família? 

Adquira o texto completo: Estudo completo

Obs. da autora: "As pesquisas no campo educacional sobre a pedagogia para a educação de bebês e crianças bem pequenas em ambientes coletivos e formais são recentes no país e quase inexistem publicações que abordem diretamente a questão curricular nesse primeiro nível da educação básica. Geralmente as legislações, os documentos, as propostas pedagógicas e a bibliografia pedagógica privilegiam as crianças maiores e têm em vista a adaptação da educação infantil ao modelo convencional que orienta os sistemas educacionais no país." 


Obra de Donald Zolan
É imprescindível: "Refletir sobre o modo de realizar a formação de crianças pequenas em espaços públicos de educação coletiva significa repensar quais as concepções a defender em um estabelecimento educacional. Ao mesmo tempo, impõe considerar quais são suas funções, de que maneira pode organizar seus modelos de gestão e sua proposta pedagógica, assim como instiga a se deter em qual será seu currículo, tendo em vista a perspectiva de um longo processo de escolarização." 



PONTOS RESSALTADOS PARA ANÁLISE
  • Reflexão sobre as diferentes infâncias (indígenas, quilombolas, ribeirinhas, urbanas, do campo, da floresta);
  • Definição das bases curriculares nacionais;
  • Constituição de pedagogias específicas para essa etapa da educação básica;
  • Afirmação da importância do trabalho docente a ser realizado em creches e pré-escolas por professores com formação específica. 

1. A ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL NOS CONTEXTOS CONTEMPORÂNEOS

1.1 Uma sociedade em transformação
  • As mudanças na sociedade são contínuas, porém nunca na amplitude e velocidade como estão acontecendo agora. 
A internet nos propiciou inúmeras facilidades, as pessoas estão conectadas em tempo real, as informações são difundidas rapidamente, assim como são facilmente transformadas e disseminadas. 

Antes, se davam de modo lento e eram incorporadas gradativamente pelas populações através das gerações. A partir da segunda metade do século XX, as alterações começaram a se intensificar e a incidir em diferentes campos da vida, sejam elas tecnológicas, científicas, religiosas e políticas o que vem causando alterações no comportamento humano.

Mídia e consumo - responsável por estabelecer um estilo de vida, onde sempre há uma nova necessidade a ser atingida, um novo objeto a ser consumido.

A interação com o mundo promove significativas mudanças e as mídias passam a configurar novas maneiras para o indivíduo utilizar e ampliar suas formas de expressão.

Mudanças no tipo de vida: pautado na incerteza, provoca nas pessoas a necessidade de tranquilidade e vínculos fortes com intuito de evitar a ansiedade causada pela instabilidade.

Sociedades mais tradicionais ofereciam a segurança, a proteção e a estabilidade, em contra partida dificultavam, e muitas vezes impediam, as transformações, a criatividade e a liberdade.

Porém na atualidade, são enfatizadas para os indivíduos, suas infinitas possibilidades, suas capacidades de pensar e realizar, em curto prazo, desejos e projetos. Todavia, são abandonados à solidão, à exclusão, à desigualdade social e econômica, à competitividade.

Ricardo Ferrari – Quintal (2013)
Na perspectiva da integralidade: torna-se sem sentido quando não se tem uma perspectiva de pertencimento, de convívio com os outros em temporalidades longas.

👉 O que é o processo educacional?

O processo educacional, principalmente aquele presente nos sistemas de ensino, é uma decisão política acerca do futuro de uma sociedade. É preciso pensar projetos educacionais que possam, em sua complexidade, dar conta tanto das necessidades de segurança, proteção e pertencimento, quanto das de liberdade e autonomia.

👉Qual a função da educação infantil nas sociedades contemporâneas?

Possibilitar a vivência em comunidade, aprendendo a respeitar, a acolher e a celebrar a diversidade dos demais, a sair da percepção exclusiva do seu universo pessoal, assim como a ver o mundo a partir do olhar do outro e da compreensão de outros mundos sociais.

Os pais precisam compreender que a escola não é depósito de crianças, e que os professores não são responsáveis por ensinar valores morais e menos ainda, professoras de creche/auxiliares não são babás. O enfoque da presença da criança não é assistencialismo. Nesse espaço educativo, as crianças aprendem rotina, socialização, compartilhar e tantos outros quesitos fundamentais para cidadania.

👉Como deve ser a concepção dos processos educacionais?

É preciso pensar projetos educacionais que possam, em sua complexidade, dar conta tanto das necessidades de segurança, proteção e pertencimento, quanto das de liberdade e autonomia.

As atividades propostas devem ser bem planejadas, não tem como objetivo ocupar as crianças sem intencionalidade, vai muito além. Educar e não 'catequizar' ou 'manejar'. Desenvolver potencialidades, promover autoestima e autoconhecimento. 

👉Qual a função da educação infantil nas sociedades contemporâneas?

Possibilitar a vivência em comunidade, aprendendo a respeitar, a acolher e a celebrar a diversidade dos demais, a sair da percepção exclusiva do seu universo pessoal, assim como a ver o mundo a partir do olhar do outro e da compreensão de outros mundos sociais.

👉No que compromete a função da educação infantil nas sociedades contemporâneas?

Implica em uma profunda aprendizagem da cultura através de ações, experiências e práticas de convívio social que tenham solidez, constância e compromisso, possibilitando à criança internalizar as formas cognitivas de pensar, agir e operar que sua comunidade construiu ao longo da história.

👉O que pode ser feito como intervenção na educação infantil?

Práticas sociais que se aprendem através do conhecimento de outras culturas, das narrativas tradicionais e contemporâneas que possam contar sobre a vida humana por meio da literatura, da música, da pintura, da dança. Contação de histórias coletivas de outras culturas que, ao serem ouvidas, se encontram com as histórias pessoais, alargando os horizontes cognitivos e emocionais através do diálogo, das conversas, da participação e da vida democrática.

👉Já nascemos sabendo nos relacionar com outras pessoas?

Embora sejamos biologicamente sociais, precisamos, no convívio, aprender as formas de relacionamento. Portanto, não nascemos sabendo nem mesmo socialização, a desenvolvemos através de convívio aprendemos formas de relacionamentos.

👉Qual papel da Educação Infantil nesse processo de interação social?

É uma grande tarefa da educação da primeira infância, realizar nas suas práticas cotidianas embasadas no que a cultura universal oferece de melhor para as crianças.

👉Como ocorrem as concepções de educação?

Não acontecem simplesmente na transmissão da informação, neutra e direta. Ocorrem através das tarefas do dia-a-dia que realizamos junto com as crianças, produzindo e veiculando concepções de educação que são efetivadas nas vivências e ações cotidianas nos estabelecimentos de educação infantil com um significado ético. Por exemplo: por intermédio de conversas, da resolução de conflitos, dos diálogos, da fantasia, das experiências compartilhadas com intuito de tornar o mundo mais acolhedor.

👉E se as concepções de educação fossem ocorridas de forma simples, neutra e direta?

Já teríamos resolvido a crise educacional brasileira, mas se efetivam em vivências e ações cotidianas nos estabelecimentos de educação infantil, pois têm significado ético.

👉 Processo de socialização contextualizado:


Ao longo dos anos, as crianças tiveram como ambiente de socialização inicial a família. Nasciam e cresciam cuidadas basicamente por suas mães e pais, avós e tios, irmãs e irmãos mais velhos. Suas interações com outras crianças eram feitas através das brincadeiras de rua, com os parentes e vizinhos. As famílias e as comunidades tinham hábitos, rituais e formas de educação que eram transmitidos de modo muito específico.

Nas cidades, vilas e aldeias pequenas, os comportamentos bastante padronizados e controlados socialmente. Assim, os processos de socialização das crianças eram bem definidos e sintonizados com o contexto de sua cultura local. Após longo convívio, basicamente com familiares e vizinhança, as crianças tinham uma segunda experiência de socialização apenas ao ingressarem no ensino fundamental (média de sete anos), recebiam as influências de suas tradições familiares e da vizinhança, ampliavam suas vivências com as experiências que a escola e a comunidade (convívio com professoras, colegas e outras famílias) poderiam oportunizar.

Na escola tinham a oportunidade de ter contato com o universo científico, artístico, cultural, tecnológico, ou ainda acesso a conhecimentos, experiências e vivências que não seriam possíveis em suas famílias. Em muitos casos, esses conhecimentos e experiências auxiliavam as crianças a problematizarem seus modos de ser, pensar, fazer. A escola ainda cumpre esse papel em muitos lugares do Brasil, principalmente em regiões como campos, florestas, áreas ribeirinhas ou em pequenas cidades do interior ou do litoral.


👉 Como se dá, atualmente, a socialização das crianças? 

Os meios de comunicação, a cidade e as tecnologias audiovisuais, influenciarem nos modos como as crianças aprendem a realizar sua participação na cultura. Sociedades complexas (mundializadas e midiatizadas), no mundo urbano contemporâneo, a socialização das crianças ocorre ao mesmo tempo no meio próximo, familiar e em um ambiente social, o estabelecimento educacional.

Ao ingressarem na escola, começam a conviver com adultos e outras crianças que não pertencem às suas famílias e que possuem hábitos, modos de falar, brincar e agir algumas vezes muito diferentes dos seus.

Nas relações que estabelecem com muitas pessoas e nas experiências concretas de vida diferenciadas, com grande presença dos meios de comunicação social que trazem mundos distantes para dentro das casas. Isso abre perspectivas para a aprendizagem de configurações de outros modos de socialização. As crianças, com experiências ampliadas, aprendem a viver e a conhecer um mundo permeado pela pluralidade desde muito cedo. Desse modo, se faz com a construção de identidade(s) múltipla(s) e com possibilidades de pertencimento ampliadas.

👉Além das mudanças sociais, que provocaram outro modo de analisar a socialização das crianças, também há as concepções sobre os processos verticais de socialização que vêm sendo colocados em discussão nas últimas décadas. 

Obra de Karl Ernst Papf
👉 Por que durante muitos anos, a socialização foi percebida como um processo hierárquico?

Porque possuía uma direção vertical descendente, na qual os adultos ocupavam o vértice superior e as crianças o inferior. O sentido era sempre de cima para baixo. Nessa perspectiva, as crianças chegavam ao mundo sem nada saberem, concebidas como seres incapazes, enquanto os adultos eram responsáveis por apresentarem o mundo para elas. Essa situação deveria resultar na incorporação passiva de um mundo dado e definitivo, desconsiderando as possibilidades de resistência das crianças a esse modelo. Essa visão de socialização pressupunha uma concepção de aprendizagem como um movimento do mundo externo em direção ao interno dos seres humanos. 

Nos últimos anos, essa relação unidirecional do processo de socialização passou a ser questionada. Porque os conhecimentos científicos que temos hoje sobre os bebês indicam que, desde muito pequenos, mesmo antes do nascimento, já estão em relação com o mundo. Também as mudanças nos costumes demonstraram que as crianças não são passivas: elas observam, tocam, pensam, interagem o que nos possibilita afirmar que elas sempre foram ativas em suas interações com as pessoas adultas e os meios em que estavam situadas, mas a sociedade não reconhecia essa participação.

Thaïs Vanderheyden 
👉 Como o mundo material e simbólico é oferecido à criança?

Através das pessoas, da cultura, dos alimentos, da natureza e é certo que ela o incorpora. Porém, a criança não o compreende a partir da lógica adulta, pois com ele se relaciona de modo particular.

Partindo desse princípio, devemos nos atentar para o olhar infantil, despido de malícia adulta. Mudar nosso olhar e tentar compreender como as crianças enxergam o mundo, perceber sua naturalidade ao lidar com o mundo. Adultos esquecem como é ser criança e tentam impor que crianças enxerguem o mundo adulto antes do tempo.

👉 Como as crianças compreendem esse mundo material e simbólico?

As crianças, em suas brincadeiras, em seus modos de falar, comer, andar, desenhar, não apenas se apropriam com o corpo, a mente e a emoção daquilo que as suas culturas lhes propiciam, mas investigam e questionam criando, a partir das tradições recebidas, novas contribuições para as culturas existentes.

👉Ao falarmos de socialização, estamos também discutindo uma compreensão sobre processos de aprendizagem. Como se dá essa relação?

Ideologia limitada e ultrapassada: Pregava que as teorias de aprendizagem, elaboradas ao longo dos anos, subsidiaram as idéias de socialização e, através delas, também eram pensadas. Compreendiam que, ou os seres humanos nasciam fadados a um destino (independentemente das ações e experiências que tivessem) ou ao nascer, não possuíam nenhuma capacidade nem referência e que o mundo ao seu redor as modelava.

Ideologia Interacionista e dialógico: Promove tanto as mudanças no conceito de socialização quanto no conceito de aprendizagem. Elas estão enraizadas em outros modelos de compreensão dos seres humanos e das relações sociais. Pensar os seres humanos como sujeitos de interações e a sociedade como uma democracia exige conceber a socialização e a aprendizagem numa relação dialógica.


👉A família, por exemplo, foi uma das instâncias de socialização que sofreu grandes mudanças nos modos de ser concebida ao longo dos três últimos séculos no ocidente.

Família tradicional ou nuclear: Considerada o modelo adequado para avaliar, compreender e pesquisar as famílias. Comuns em livros didáticos, fotos de propagandas e nos demais discursos que possuem vitalidade em nossa sociedade. 

Pseudo-famílias Margarina: Usadas na televisão, propaganda e também na religião e da justiça – podemos verificar que as famílias são representadas como grupos de pessoas, geralmente ligadas por laços sanguíneos, que incluem um homem, uma mulher e crianças, na maioria das vezes um menino e uma menina. O homem é o responsável pelo sustento material da família e a mulher pela reprodução e organização da vida familiar. 

Apesar dessa família não ter tido no Brasil uma existência real, ela ainda está presente em grande parte do imaginário nacional. 


Isso vai de encontro com a realidade social, mas por que as pessoas ainda não aceitaram que o quadro "Família Margarina" não existe mais?

Contudo, se olharmos com atenção ao nosso redor e se lermos atentamente as estatísticas, veremos que essa composição, além de não ser natural, nunca foi predominante, e vem sendo substituída por uma pluralidade radical de formações familiares como a monoparentalidade e a homoparentalidade, tornando explícito o diálogo transformativo inerente aos processos sociais. 


A realidade das famílias no mundo vem sofrendo modificações, ainda não plenamente aceitas - ainda há muita resistência quanto à quebra de padrão (imaginário), o que muitas vezes alimenta apenas a intolerância e a violência institucional.

Se as mulheres lutaram, e lutam ainda, para romper com o modelo único de família e a fixidez do lugar social a elas determinado, foi a partilha da educação das crianças com a escola que pode tornar viável novas configurações e organizações familiares. Ou seja, a igualdade dos direitos entre homens e mulheres na sociedade só poderá se consolidar se as instituições sociais tiverem novas significações. Dentre as instituições sociais que mais contribuíram para a possibilidade de constituição de novas oportunidades para as mulheres na sociedade e de formas alternativas de realizar a maternidade estão as creches e as pré-escolas. Afinal, elas desempenham um importante papel na liberação das mulheres como principais responsáveis pela educação das crianças pequenas. 

CRECHES - Objetivo primário: foram criadas pelas necessidades econômicas do capitalismo industrial com o objetivo central de substituir as atividades maternas enquanto as mães trabalhavam, tornaram-se, nesse momento, parceiras das mulheres na sua busca pelo exercício de outras funções sociais. 

Reinvenção das escolas de Educação Infantil: 

As escolas infantis foram sendo reinventadas, desde meados do século XX, para se tornarem colaboradoras dos homens e das mulheres contemporâneos na educação e cuidado das crianças. O modo como os estabelecimentos de educação infantil são organizados já demonstram o quanto foram pensados para, além de propiciarem às crianças espaços para as aprendizagens, realizar, em um espaço público e de vida coletiva, ações para o cuidado e a educação das crianças que sempre foram consideradas como da vida privada: a alimentação, a higiene e o repouso. 


IMPRESCINDÍVEL A INTEGRAÇÃO: FAMÍLIA, SOCIEDADE E ESCOLA

A situação de compartilhar a educação das crianças traz a necessidade social de um diálogo contínuo entre família, sociedade e escola. Ambas necessitam determinar os papéis de cada uma – o que compete à escola e o que compete às famílias – considerando a impossibilidade de haver uma regra única. As atribuições nascem das necessidades e das possibilidades de ambas as instituições e do diálogo entre elas. A isso denominamos colaboração entre as partes.

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Bullying homofóbico: Já chega!


A Organização Mundial da Saúde (OMS) define violência como: o uso intencional da força física ou do poder, real ou potencial, contra si próprio, contra outras pessoas ou contra um grupo ou uma comunidade, que resulte ou tenha grande possibilidade de resultar em lesão, morte, dano psicológico, deficiência de desenvolvimento ou privação. Essa definição considera as diferentes formas de violência que não acarretam, necessariamente, em lesão ou morte, ou seja, diz respeito também às situações de desigualdade e discriminação que ocorrem dentro da família, nos sistemas de saúde, nas escolas, nos ambientes de trabalho e nas comunidades em que se vive. Além disso, essa definição associa a intenção de se cometer um ato violento às relações e práticas de poder incluindo, portanto, as ameaças, intimidações, negligências e todos os tipos de abuso — físico, sexual e psicológico.

A homofobia pode ser traduzida em ódio, desprezo, intolerância e rejeição contra pessoas por conta de sua orientação sexual e/ou identidade de gênero presumidas. A escola costuma ser um ambiente hostil para lésbicas, gays e bissexuais. A maioria das pessoas que se identificam como transexuais ou travestis também sofre as hostilidades produzidas pela homofobia porque, principalmente na infância ou juventude, é vista pela sociedade tão somente como homossexuais. Eles são frequentemente vítimas de piadas, agressões físicas e verbais.

O bullying homofóbico pode gerar consequências, tais como: baixo rendimento escolar; dificuldade de relação social; fobia escolar; depressão; tentativa de suicídio; etc. A invisibilidade pública, o preconceito, o machismo, a misoginia e a lesbofobia, algumas vezes vivenciados desde a infância, podem contribuir para o consumo excessivo de álcool, cigarro ou outras drogas. Também podem contribuir para baixa autoestima, uma depreciação de si, o que pode conduzir ao pouco autocuidado corporal, ao sobrepeso e à baixa procura aos serviços de saúde, por exemplo. Cabe ainda ressaltar que o uso de substâncias químicas não se restringe às drogas psicoativas, inclui também as substâncias usadas para outros fins como, por exemplo, os hormônios (anabolizantes esteroides e hormônios femininos) e silicone líquido, que, se usados de forma inadequada, trazem prejuízos à saúde.

Não só profissionais de saúde, mas nossas condutas, COMO EDUCADORES, devem ser pautadas no acolhimento humanizado e no cuidado da população LGBT, abrangendo, além das necessidades comuns de saúde, demandas específicas que implicam em seu bem-estar com sua identidade de gênero e sua orientação sexual.


Conteúdo do curso: Política Nacional de Saúde Integral LGBT UERJ / UNA-SUS / UNA-SUS/RJ / SUS / Fiocruz / MS


quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Direitos Humanos - Para humanos direitos?


DIREITOS HUMANOS PARA HUMANOS DIREITOS! (?)



O QUE SÃO DIREITOS HUMANOS?
QUEM SÃO OS HUMANOS DIREITOS?
PODEMOS JULGAR E DEFINIR QUEM TEM OU NÃO DIREITOS HUMANOS?
QUANDO JULGAMOS ALGO OU ALGUÉM, QUAIS NOSSOS PARÂMETROS?

REFLEXÃO: O que são direitos?
  • garantias 
  • lei
  • obrigação
  • aquilo que é justo
  • (...)

A História dos Direitos Humanos (legenda)


DECLARAÇÃO DOS DIREITOS HUMANOS

* Declaração não é lei!!

A Organização das Nações Unidas (ONU): Nasceu em 1945, após a II Guerra Mundial. É uma organização internacional com o objetivo de facilitar a cooperação em termos de direito e segurança internacional, desenvolvimento econômico, progresso social, direitos humanos e da paz mundial, e assim promover ou encorajar respeito aos direitos humanos fundamentais. 

ESTRUTURA DA ONU: Formada por 192 estados-membros, incluindo quase todos os soberanos do mundo. 
  • Assembleia Geral: Órgão deliberativo, do qual participam todos os Estados-Membros da Nações Unidas.
  • Conselho de Segurança: Tem o objetivo de decidir resoluções de paz e segurança. São 05 membros permanentes (EUA, Rússia, Reino Unido, França e China), e 10 membros eleitos pela Assembleia Geral para um mandato de 02 anos; 
  • Conselho Econômico e Social: Auxilia na promoção da cooperação econômica, social e no desenvolvimento mundial. 
  • Secretariado: Fornece estudos e informações.
  • Tribunal Internacional de Justiça: Órgão judicial principal.
Além das instâncias administrativas, a ONU também é formada por um grande sistema, chamado Sistema das Nações Unidas, formado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o Programa Alimentar Mundial (PAM) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF)

A UNICEF é uma agência das Nações Unidas que tem como objetivo promover a defesa dos direitos das crianças, ajudar a dar resposta às suas necessidades básicas e contribuir para o seu desenvolvimento. A ONU é financiada por contribuições de todos os seus Estados membros, e tem 06 idiomas oficiais: Árabe, Chinês, Inglês, Francês, Russo e Espanhol

Carta de princípios: Foi proclamada pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas, em 10 de Dezembro de 1948, em que se afirma a preocupação internacional com a preservação dos direitos humanos e se define quais são esses mesmos direitos. 

Declaração Universal dos Direitos do Homem: Enuncia os direitos fundamentais, civis, políticos e sociais de que devem gozar todos os seres humanos, sem discriminação de raça, sexo, nacionalidade ou de qualquer outro tipo, qualquer que seja o país que habite ou o regime nele instituído.

Eleanor Roosevelt exibe cartaz contendo a Declaração Universal dos Direitos Humanos (1949)
* Nem todos países são signatários, ou seja, assinaram em concordância com os objetivos da ONU.

LINHA DE TEMPO:

O papel das Nações Unidas foi determinante na elaboração dos tratados internacionais, bem como na fiscalização da sua aplicação, para o que existem diferentes comissariados.

1965 - sobre direitos civis e políticos; sobre os direitos econômicos, sociais e culturais; sobre a eliminação de todas as formas de discriminação racial;

1979 - sobre todas as formas de discriminação contra as mulheres;

1984 - contra a tortura e outras penas ou tratamentos cruéis, desumanos ou degradantes;

1989 - sobre os direitos das crianças



Direitos Humanos são os direitos fundamentais de todo ser humano, sem nenhuma discriminação, seja étnica, social, econômica, jurídica, política ou ideológica. Eles constituem condição indispensável para se alcançar uma convivência em que todos sejam respeitados indistintamente. São inerentes a todos, independente de etnia, sexo, nacionalidade, idioma, religião, identidade de gênero, orientação sexual ou qualquer outra condição.

Quem tem direito? TODO SER HUMANO
Condição única: SER HUMANO
Quais direito? DIREITO SOCIAL, CULTURAL, ECONÔMICO, ETC...

Estes direitos tem como características importantes: 

- São universais, porque são para todos.
- São históricos, pois sua leitura independe do tempo em que se vive.
- São inalienáveis, pois ninguém pode tomá-los de você.
- São irrenunciáveis, pois não se pode abrir mão.

Os Direitos Humanos comumente são estigmatizados como "direitos de bandido".
OBS.: Mas pode ser limitado! Em casos em que, mediante uma ação criminal, vigora a legislação do país. Ressaltando que, os direitos humanos não defendem impunidade. Exemplo: encarceramento (privação de liberdade). Porém, depende da Constituição de cada país, há casos de pena de morte.

Mais informações: ONU - O QUE SÃO DIREITOS HUMANOS?


A desigualdade social tão evidente, está vinculada a falta de respeito aos direitos humanos. Pois uma sociedade privada de moradia digna, alimentação, uma renda estável, acesso à educação/capacitação profissional de qualidade e segurança é fraca, instável e não honra os direitos de cidadania. Tais como equidade, progresso social, ou seja, melhores condições de vida para todos.


Acesse - versão simplificada:



Dinâmica - Diversidade sexual para Fundamental II



     A diversidade cultural se opõe a homogeneização e a imposição cultural. Historicamente, os preconceitos são passados de geração em geração, e é notável que a sexualidade ainda é um assunto cercado por tabus sociais, mesmo em tempos de globalização. 
     É na escola, um espaço interacional, onde ocorrem os encontros entre diversidades de todos os tipos e práticas sociais. Deste modo, deve-se pensar no espaço escolar como o local propício para trabalhar a inclusão às diversidades e desconstrução do preconceito.
      Lima (2008, p.35) considera que o preconceito implica um sentimento ou uma ideia estereotipada de características individuais ou grupais, que correspondem a valores negativos. Contudo, é importante considerar que a sociedade brasileira é constituída pela pluralidade, o que torna imprescindível o trabalho de inclusão social, o que remete a importância da escola nesse sentido.

      A palavra inclusão pressupõe acolhimento, levando em consideração a aceitação, valorização e compromisso. A sensibilização e um novo olhar por parte de educandos e educadores nesta tarefa, com intuito de minimizar prejuízos acadêmicos e emocionais, faz-se essencial.

Um modo de trabalhar o assunto com o Fundamental II



Exibição do vídeo “Medo de quê?"

Sinopse: Desenho animado sem palavras, elaborado para provocar reflexões críticas que contribuem para o respeito à diversidade sexual e redução da homofobia entre homens jovens. Marcelo é um garoto que descobre o desejo e afetividade com outro rapaz jovem e o vídeo acompanha parte de sua trajetória. Marcelo é um garoto que, como tantos outros, é cheio de sonhos, desejos e planos. Descobre que sente atração afetivo-sexual por rapazes. Seus pais, seu amigo João e a comunidade onde vivem têm outras expectativas em relação a ele, que nem sempre correspondem aos desejos de Marcelo. Esse desenho animado sem falas é um convite à reflexão sobre esses medos e à busca de uma sociedade mais plural, solidária e cidadã.

Objetivo de aprendizagem (pode-se explorar a temática de acordo com a pretensão do educador e faixa etária/maturidade/cultura dos educandos):

Promover discussão sobre padrões de comportamento em relação ao namoro e a vivência de Marcelo, em experimentar uma relação hétero e homossexual;

Refletir a razão pela qual a sexualidade do outro causa incômodo;

●  Propiciar uma análise aos educandos sobre o comportamento e as expectativas e relações sociais do personagem (família, amigos, amor);

Inquirir aos educandos, se há certo ou errado quanto à orientação sexual do personagem, considerando o comportamento da família e amigos do mesmo;

● Refletir sobre as questões de intolerância às diversidades sexuais apresentadas no vídeo, observando o contexto nas entrelinhas da história;

Analisar sobre o que é o convencional na sociedade (heteronormatividade) e as relações homo afetivas;

Observar como os educandos pensam sobre as relações homo afetivas;

Promover reflexão sobre a empatia, cidadania, humanização.

Propiciar aos alunos, um olhar sensível e de respeito à livre orientação sexual, com a ideia de reduzir o ímpeto de discriminação e sexismo.

Promover uma reflexão sobre homossexualidade e homofobia, procurando sensibilizar os participantes a uma maior aceitação da diversidade sexual humana.

Proposta a ser desenvolvida: Aula interativa com apresentação do vídeo "Medo de quê?" (18 minutos), produzido com uma parceria ECOS, Instituto Promundo, Instituto PAPAI e Salud Gênero.

Estratégia: Apresentação do vídeo “Medo de quê?”. Após assistir, ouvir opiniões dos educandos acerca do vídeo. Inicialmente, o mediador não oferecerá julgamento de quaisquer tipo. Após ouvir os educandos, informar sobre o tema central e objetivos da atividade. Fazer questionamentos que induzam a reflexão sobre a história, promovendo analogias à sociedade em que vivemos, ressaltando sobre o direito de escolha de cada um, colocar-se no lugar do outro, além de ressaltar que todos somos iguais, porque somos humanos, e principalmente, temos direito de escolher o que nos faz feliz.

Recurso: Computador, tela de projeção.

Avaliação: Observar participação da turma e interesse pela temática. 

REFERÊNCIA: Medo de quê? Produção Aliança H, com parceria da ECOS, Instituto Promundo, Instituto PAPAI e Salud Gênero. Duração: 18 minutos. Promoção da cidadania e dos direitos humanos para a população GLBTTT. Porto Alegre: Grupo Outra Visão, 2006. Disponível em: http://www.youtube.com/watch?v=oryExiO5PL4 Acesso em 31 de outubro de 2017. 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Diversidade: Entendendo a guerra na Síria

Grupo de estudo: 


A Guerra na Síria é tema do grupo de estudo em que participo na FSB-PR sob orientação da Mestra Marli Barros. O enfoque maior é dado à velha cidade de Aleppo. Para compreender esta história, realizei pesquisas acerca do tema utilizando o site Politize, informações da BBC e outros. Meu intuito é compreender as motivações políticas, consequências e interesses ligados a temática em questão. 

Aleppo, antes e depois. Imagem do site Tendencee

Mais imagens do antes/depois de Aleppo em: Tendencee

A Síria é governada pelo ditador Bashar al-Assad desde 2000 e pela família al-Assad desde a década de 1970. Apesar de não apoiarem o ditador, os cristãos, os xiitas e até parte da elite sunita preferem ver Assad no poder diante da possibilidade de ter um país tomado pelos extremistas. 

Uma das primeiras forças internas que se rebelou contra o governo sírio foram os grupos sunitas, que se opunham a Assad (que é xiita). Os sunitas têm dezenas de ramificações e ideologias, mas unem-se com o princípio básico de derrubar Assad. São chamados de “rebeldes moderados”, por não serem adeptos do radicalismo islâmico. A maior expressão entre eles é o Exército Livre da Síria (ELS). Grupos que atuavam nos protestos uniram-se aos militares desertores, representados pelo ELS, constituído por milícias armadas que objetivavam revidar a ação violenta do governo e expulsar as tropas do exército sírio de suas cidades. Todavia, Bashar Al-Assad não recuou e aumentou ainda mais a repressão no país.

Quanto às alianças externas, Assad conta com o apoio do Irã e do grupo libanês Hezbollah. Juntos eles formam um “eixo xiita” (seguem essa interpretação da religião islâmica no Oriente Médio). O grupo se opõe a Israel e disputa a hegemonia no Oriente Médio com as monarquias sunitas, lideradas pela Arábia Saudita. 

O principal aliado de fora é a Rússia, que mantém uma antiga parceria com a Síria. Tanto o apoio do Hezbollah e das milícias iranianas, quanto os bombardeios mais recentes realizados pelas forças russas têm sido fundamentais para a sobrevivência do regime de Assad e o seu recente fortalecimento no conflito.

Forças de segurança sob comando dos líderes dos países árabes continham os ditos rebeldes e o povo vivendo em dificuldades, tinha o dinheiro público monopolizado pelos poderosos que comandavam o país.

Entre os anos de 1950 e 1970, os países da região árabe mantiveram-se sob o comando de regimes repressores, os quais não permitiam a formação e desenvolvimento de uma oposição política. Assim, os movimentos islamistas aproveitaram o vazio provocado por essa limitação. 

Os protestos na Síria contra o governo de Bashar al-Assad foram motivados pela onda de protestos que se espalhou pelos países árabes a partir de 2010, em que pediam reformas no governo e  mais democracia. Também, que houvesse a instituição do pluripartidarismo em oposição ao governo autoritário e corrupto existente, criação de mais empregos, redução de juros para possibilitar a aquisição de itens básicos de necessidade pessoal e coletiva (ex.: alimentos), qualidade de vida para população, dentre outras solicitações.

Os protestos pró-democracia começaram em março de 2011, na cidade de Daraa, após a prisão e tortura de adolescentes que haviam pintado slogans revolucionários no muro de uma escola. E a batalha logo chegou na capital, Damasco. A repressão do governo de Bashar al-Assad foi violenta, os protestos espalharam-se por toda a Síria, inclusive em sua maior cidade, Aleppo, no ano de 2012.

O confronto militar em Aleppo foi iniciado em 19 de julho de 2012, como parte da Guerra Civil Síria. Marcado pelo uso de bombas de barril jogadas de helicópteros pelo exército sírio, ocasionou a morte de milhares de pessoas e causou a evacuação de centenas de milhares de outras. Esta batalha causou uma destruição catastrófica. 

Essa guerra é considerada um dos grandes desastres humanitários dos últimos anos.
"Moderados seculares hoje são superados em número por islâmicos e jihadistas, adeptos de táticas brutais que motivam revolta pelo mundo" (BBC).
Aleppo, já foi a capital econômica da Síria, virou o símbolo da guerra que devasta o país.

"Num primeiro momento, simpatizantes dos que se rebelaram contra o governo começaram a pegar em armas – primeiro para se defender e depois para expulsar as forças de segurança de suas regiões. Esse levante de pessoas nas ruas, lutando por democracia, faz parte de um movimento chamado Primavera Árabe e podemos dizer que esse processo culminou no início da guerra civil na Síria." (Politize!)

 Primavera Árabe: movimentos pró-democracia ocorridos em países do Oriente Médio e do norte da África que surgiram devido aos problemas demográficos e estruturais enfrentados pelos povos árabes.



Segundo a investigação conduzida pela comissão da ONU, liderada pelo brasileiro Paulo Sério Pinheiro, o regime do ditador Assad foi responsável pela tortura e morte de milhares de pessoas, inclusive crianças. Ele informou que não há dúvida de que soldados não conduziram essas operações sem o conhecimento de seus superiores. Pelas testemunhas que aceitaram falar com a comissão, está claro que as ordens de massacrar os protestos da forma que fosse necessária vinha da cúpula.

A ONU declarou que a guerra na Síria se intensificou de modo indiscriminado e desproporcional, tanto quanto as violações dos direitos humanos. Já são mais de 250 mil mortos. Já o Centro Sírio para Pesquisa Política fala em mais de 400 mil óbitos em decorrência do conflito.

Facções extremistas islâmicas, fragmentadas em diversos grupos, estão entre os que querem derrubar Assad . Uma das organizações que mais conquistaram terreno, principalmente nos primeiros anos do conflito, foi a Frente Al-Nusra, um braço da rede extremista Al Qaeda na Síria.

Em 2014, o Estado Islâmico dominou áreas na Síria e no Iraque, as denominou de califados (referindo-se aos antigos impérios islâmicos depois de Maomé, seguidores rigorosos das leis islâmicas).

O Estado Islâmico aproveitou o vácuo de representação por parte do governo, a revolta da sociedade civil e a guerra brutal ocorrida na Síria para fazer seu espaço, ocuparam metade do território sírio. Para isso, enfrentaram rebeldes e rivais jihadistas da Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, bem como o governo e forças curdas.

Há os Curdos, uma etnia sem Estado e sem território próprios, constituídos por um grupo de 27 a 36 milhões de pessoas que vivem em diversos países, inclusive Síria. Eles reivindicam a criação de um Estado para o seu povo (Curdistão). Desde o início do conflito sírio, a Unidade de Defesa Popular (uma milícia) foi criada com o objetivo de defender as regiões habitadas pelos curdos no norte do país. Eles se fortaleceram a ponto de dominar um grande território próximo da fronteira turca na atualidade. São considerados úteis ao regime de Assad, pois se opõe tantos aos rebeldes moderados quanto aos extremistas do Estado Islâmico.

Existem provas de que todas as partes envolvidas cometeram crimes de guerra (assassinato, tortura, estupro e desaparecimentos forçados). Tanto quanto foram acusadas de causar sofrimento civil, por promover bloqueios que impedem fluxo de alimentos e serviços de saúde, como tática de confronto. 

Em 2014, devido ao avanço do Estado Islâmico no ganho de territórios, os Estados Unidos fizeram ataques aéreos na Síria em tentativa de enfraquecê-lo, evitando ataques que pudessem beneficiar as forças de Assad. Assim começou uma campanha aérea no Iraque e na Síria, com apoio de Canadá, França, Reino Unido e vários países árabes.

Em 2015, a Rússia fez o mesmo contra terroristas na Síria, mas ativistas da oposição dizem que os ataques têm matado civis e rebeldes apoiados pelo Ocidente. A Síria é um importante comprador de armamentos da Rússia, e oferece ainda ao país a base naval de Tartus, única instalação russa no mar Mediterrâneo.

Em julho de 2015, uma trégua entre o governo turco e o PKK foi interrompida após um atentado suicida em Suruc, povoado curdo em território turco, perto da fronteira com a Síria. Os curdos atribuíram o atentado, que deixou 32 mortos, a uma suposta conspiração entre Ancara e Estado Islâmico, algo que a Turquia nega.

Por que a Síria é o território de fogo cruzado dessa guerra fria?

Rússia e os Estados Unidos querem o fim do Estado Islâmico. Porém, os Estados Unidos querem a queda do governo de Bashar Al-Assad, pois considerarem que seu regime não-democrático é prejudicial à Síria e, por isso apoia os rebeldes; por outro lado, a Rússia acredita na força de Assad e está apoiando seu regime. 

Aliados e inimigos  

Os EUA estão em desacordo com a Rússia pelo destino do presidente Assad, aliado de Moscou que Washington deseja fora do poder. Um dos aliados ocidentais dos Estados Unidos é a França e outros países com diferentes níveis de envolvimento são Irã, Turquia e nações do Golfo Pérsico. Ocorreu uma inesperada aproximação entre EUA e Irã, unidos pela aversão a extremistas sunitas, todavia distanciados pelo apoio iraniano a Assad e à guerrilha libanesa Hezbollah, considerada organização terrorista pela Casa Branca. Integram a coalizão liderada pelos EUA: Bahrein, Jordânia, Catar e Emirados Árabes Unidos, todos em linha com a atuação saudita.

O Irã é aliado histórico do governo de Assad, a quem fornece armas, apoio militar e financeiro. Para o esse país, a subordinação de Assad é chave para impor freio à influência de seu grande rival na região

Arábia Saudita, que por sua vez, se opõe a Bashar Al-Assad e apoia os rebeldes sunitas. É uma potência sunita e grande rival do Irã, integra desde o início a coalizão liderada pelos EUA para atacar o Estado Islâmico. 

Turquia, de maioria sunita, é outra potência da região. Apoia a coalizão liderada pelos EUA e rebeldes. Seu envolvimento no conflito do país vizinho começou ao apoiar ao Exército Livre da Síria, um dos principais movimentos rebeldes contra Assad. Esse país ataca posições de milícias curdas na Síria, as Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), braço armado do Partido da União Democrática (PYD), aliado tradicional do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), perseguido há 30 anos na Turquia por buscar autonomia curda no país. Em paralelo, o governo turco conserva boas relações com o Governo Regional do Curdistão no Iraque (KRG), os peshmerga (forças armadas do KRG) e o Partido Curdo no Iraque (KDP). Enquanto isso, no teatro de operações na Síria e no Iraque, curdos turcos, curdos iraquianos e governo turco estão contra o Estado Islâmico.

Segundo a BBC, a estratégia da Turquia para Kerem Oktem (professor da Universidade de Graz, na Áustria) é "simular que luta uma guerra contra o Estado Islâmico e perseguir outra meta, que é destruir o PKK". Em entrevista à BBC, Cemil Bayik (líder do PKK) disse que a Turquia ataca forças curdas para evitar que combatam o Estado Islâmico. Ele diz acreditar - e há outras opiniões nesse sentido - que Ancara esteja protegendo o Estado Islâmico em vez de combatê-lo.

A Convenção de Genebra de 1951, define refugiado a “pessoa que foge em função de um bem embasado medo de perseguição devido à raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social, ou opinião política”.

Motivo pelo qual a maioria se refugia na Europa

Muitos fugiram em busca de abrigo nos países da Europa, África e Oriente Médio. A Europa é mais visada pelos refugiados, porque o nível de vida nesses países é superior quando comparados à África e ao Oriente Médio. Outra razão, é pela facilidade geográfica na passagem de um continente para o outro que estimula a imigração e o intercâmbio entre as nações. Deve-se considerar que os países que hoje possuem grandes setores da sua população se dirigindo à Europa na fuga de guerras ou em busca de oportunidade, são os mesmos países que foram colonizados pelos próprios europeus na segunda grande onda colonizadora e imperialista moderna: aquela que começa no fim do século XVIII e se intensifica no século XIX pelas grandes potências capitalistas (Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, etc.)

Sírios refugiados no Brasil

Os dados do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), do Ministério da Justiça, mostram que em cada quatro refugiados no Brasil um é sírio.(G1). O número de concessões de refúgio aos sírios em 2015 representa 43% do total de solicitações aceitas (1.231). 

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