Documentário: Babies
O documentário aborda o desenvolvimento infantil na ótica da diversidade cultural, por intermédio da observação do cotidiano de quatro crianças
de nacionalidades diferentes até completarem um ano. O objetivo dessa análise é, estabelecer relações com a concepção de infância como construção social.
Segundo Dahlberg e outros (2003), a infância como construção social é sempre contextualizada em relação ao tempo, ao local e à cultura, variando conforme classe, gênero e outras condições socioeconômicas. Percebe-se que, embora vivenciem a mesma fase, cada uma apresenta suas particularidades.
Visto que, infância não é limitada a apenas uma etapa do desenvolvimento biológico, sua definição é heterogênea. Pois carrega consigo
uma enorme complexidade, portanto vai além de uma construção social, é também uma construção humana, histórica e cultural.
No documentário é evidente que a criança é compreendida como sujeito histórico, devido ao contexto da gestação e do parto terem sido
considerados, assim como as interações sociais após o nascimento, o que possibilita a construção de sua identidade pessoal e coletiva.
As crianças, independente de onde e como vivem, passam por transformações inerentes à fase de desenvolvimento. Elas estabelecem laços
afetivos com pessoas e animais, brincam e interagem, também observam, descobrem e aprendem, construindo sentidos sobre a natureza e a sociedade.
É certo que, a vivência da infância varia de acordo com o contexto cultural. Todavia, independente de em quais condições transcorra ou de quais parâmetros
sociais que se tem como referencial, a criança consegue desenvolver-se com naturalidade conforme as especificidades da fase de vida.
Os hábitos de higiene, como são alimentadas, o modo como os pais seguram ou tocam a criança, seus brinquedos e brincadeiras, dentre outros fatores pontuam as reproduções
interpretativas e até mesmo causam impacto pela distinção que está atribuída aos costumes dos diferentes grupos sociais.
A chegada da criança altera a rotina da família, mas o modo como a família viabiliza as tarefas cotidianas diferem culturalmente. Enquanto uns usufruem da modernidade,
ao usarem cadeirinhas com funções e outros recursos, outros aplicam métodos mais rústicos e um tanto quanto excêntricos, como amarrar o bebê.
Através da linguagem verbal ou não-verbal, essas crianças expressam suas emoções perante às situações a que são expostas
como forma de interação e até mesmo empoderamento, tal como ao mobilizar o adulto, seja ao frustra-se com um brinquedo ou para chamar atenção.
Compreende-se que, as crianças são protagonistas de sua história e independente do contexto de vida ou de cultura em que estão inseridas, criam sua visão
de mundo como sujeitos autônomos. Assim, tornam-se socialmente ativos, não apenas consumindo, mas produzindo cultura.
REFERÊNCIA
DAHLBERG, G.; MOSS, P.; PENCE, A. Qualidade na educação da primeira infância: perspectivas pós modernas. Porto Alegre: Artmed, 2003
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