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sexta-feira, 16 de novembro de 2018

Curso online: O Impacto do desenvolvimento na primeira infância sobre a aprendizagem


CURSO: O Impacto do desenvolvimento na primeira infância sobre a aprendizagem
 
Esse curso EAD é uma iniciativa da Fundação José Luiz Egydio Setubal (FJLES), através de seu Instituto Pensi, e da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal (FMCSV), em parceria com o Núcleo Ciência pela Infância (NCPI). Ele se compõe de cinco aulas, que visam retomar e aprofundar o artigo "O impacto do desenvolvimento da primeira infância sobre a aprendizagem" (2015), produzido por Juliana Porto, Daniel Santos e Rogério Lerner, membros do Comitê Científico desse núcleo. 
 
Apresentação do material/compartilhamento:


Módulo:
 Material do curso


Tópicos do curso:

1 - Introdução

2 - Criança ativa e competente, apesar de vulnerável.

3 - Por que investir no desenvolvimento da Primeira Infância?

4 - Cuidando do contexto de Desenvolvimento na Primeira Infância.

5 - Desenvolvimento do cerébro na Primeira Infância, saúde e bem-estar.



ACESSE: O Impacto do desenvolvimento na primeira infância sobre a aprendizagem

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Sobre o documentário "Sementes do nosso quintal"


O longa fez parte da 36º Mostra Internacional de São Paulo 
e foi eleito pelo público o melhor documentário brasileiro. 

SINOPSE: O filme retrata o cotidiano de uma escola de educação infantil sem precedentes que, através do pensamento-em-ação de sua idealizadora, a controversa e carismática educadora Therezita Pagani, nos revela o potencial estruturante da educação infantil verdadeira, firme e sensível.


Todos os trailers em Videocamp


Therezita Pagani, 2018 (Te -Arte)
Imagine uma escola que é a cara de casa de vó! Essa é a escola da Tetê! Aqui impera o lúdico, o protagonismo infantil, o respeito pela fase de desenvolvimento de cada criança, o reconhecimento pelas suas vitórias. Todo o processo de aprendizagem parte do lúdico, da criatividade, reforça a ideia da importância de aprender brincando, valorizando o coletivo. 

Na Te-Arte, localizada no bairro do Butantã, em São Paulo (SP), não há a velha formatação da sala de aula convencional em que alunos ficam engessados na cadeira, debruçados em livros, seguindo uma rotina rígida e mergulhada em formalidade. Nesta escola, a criança tem liberdade de expressar seus sentimentos, suas frustrações, experimentar, explorar seu campo sensorial, descobrir e explorar.

Aqui não há estrutura moderna e repleta de vidros e paredes que segregam turmas por idades, não mesmo! Com Tetê, a turma aprende unida, brinca com os bichos, aprende a valorizar a natureza, pega na terra, aprende o que é certo ou errado conforme suas ações e a dos outros, leva bronca quando precisa, fazem trabalhos manuais, passam de forma natural pelo processo de autoconhecimento, descobrem habilidades musicais e muito mais. 

Mas quem disse que apenas os pequenos usufruem dessas lições? A família também participa de todo o processo! Além do que, como uma grande lição de vida, Tetê com sua simplicidade nos fala e mostra realidades que por convenção esquecemos, que crianças precisam ser ouvidas, precisam de limites e sobre os laços familiares que sempre devem ser reforçados.

Quem ainda não assistiu esse documentário, deve assistir! 

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Estudo: Práticas Cotidianas na Educação Infantil (2009) - Parte 1

Obra de Donald Zolan
Estudo do documento: PRÁTICAS COTIDIANAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL - BASES PARA A REFLEXÃO SOBRE AS ORIENTAÇÕES CURRICULARES POR MARIA CARMEN SILVEIRA BARBOSA. (Parte 1 - até a página 18)


Documento escrito em especial para as professoras e professores de Educação Infantil que trabalha com a formação e a educação de crianças de 0-6 anos. Objetivo central do trabalho da autora é problematizar, inspirar e aperfeiçoar as práticas cotidianas realizadas nos estabelecimentos educacionais de educação infantil. Segundo a autora, as características da faixa etária das crianças exigem conceber um outro tipo de estabelecimento educacional e revisar alguns conceitos naturalizados em nossa sociedade sobre escola, infância, conhecimento e currículo.


Obra de Donald Zolan
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) considera as pessoas de até 12 anos de idade incompletos como crianças, este documento, voltado para a educação de crianças de 0 a 6 anos.

Reflexão do texto:
  • Quais são as funções específicas de uma escola que atende bebês e crianças bem pequenas?
  • Quais as estratégias consideradas adequadas ao trabalho pedagógico com crianças pequenas?
  • Que possibilidades de conhecimento podem ser propiciadas para as crianças?
  • Quais as relações de aproximação e de diferenciação dos papéis da escola e da família? 

Adquira o texto completo: Estudo completo

Obs. da autora: "As pesquisas no campo educacional sobre a pedagogia para a educação de bebês e crianças bem pequenas em ambientes coletivos e formais são recentes no país e quase inexistem publicações que abordem diretamente a questão curricular nesse primeiro nível da educação básica. Geralmente as legislações, os documentos, as propostas pedagógicas e a bibliografia pedagógica privilegiam as crianças maiores e têm em vista a adaptação da educação infantil ao modelo convencional que orienta os sistemas educacionais no país." 


Obra de Donald Zolan
É imprescindível: "Refletir sobre o modo de realizar a formação de crianças pequenas em espaços públicos de educação coletiva significa repensar quais as concepções a defender em um estabelecimento educacional. Ao mesmo tempo, impõe considerar quais são suas funções, de que maneira pode organizar seus modelos de gestão e sua proposta pedagógica, assim como instiga a se deter em qual será seu currículo, tendo em vista a perspectiva de um longo processo de escolarização." 



PONTOS RESSALTADOS PARA ANÁLISE
  • Reflexão sobre as diferentes infâncias (indígenas, quilombolas, ribeirinhas, urbanas, do campo, da floresta);
  • Definição das bases curriculares nacionais;
  • Constituição de pedagogias específicas para essa etapa da educação básica;
  • Afirmação da importância do trabalho docente a ser realizado em creches e pré-escolas por professores com formação específica. 

1. A ESCOLA DE EDUCAÇÃO INFANTIL NOS CONTEXTOS CONTEMPORÂNEOS

1.1 Uma sociedade em transformação
  • As mudanças na sociedade são contínuas, porém nunca na amplitude e velocidade como estão acontecendo agora. 
A internet nos propiciou inúmeras facilidades, as pessoas estão conectadas em tempo real, as informações são difundidas rapidamente, assim como são facilmente transformadas e disseminadas. 

Antes, se davam de modo lento e eram incorporadas gradativamente pelas populações através das gerações. A partir da segunda metade do século XX, as alterações começaram a se intensificar e a incidir em diferentes campos da vida, sejam elas tecnológicas, científicas, religiosas e políticas o que vem causando alterações no comportamento humano.

Mídia e consumo - responsável por estabelecer um estilo de vida, onde sempre há uma nova necessidade a ser atingida, um novo objeto a ser consumido.

A interação com o mundo promove significativas mudanças e as mídias passam a configurar novas maneiras para o indivíduo utilizar e ampliar suas formas de expressão.

Mudanças no tipo de vida: pautado na incerteza, provoca nas pessoas a necessidade de tranquilidade e vínculos fortes com intuito de evitar a ansiedade causada pela instabilidade.

Sociedades mais tradicionais ofereciam a segurança, a proteção e a estabilidade, em contra partida dificultavam, e muitas vezes impediam, as transformações, a criatividade e a liberdade.

Porém na atualidade, são enfatizadas para os indivíduos, suas infinitas possibilidades, suas capacidades de pensar e realizar, em curto prazo, desejos e projetos. Todavia, são abandonados à solidão, à exclusão, à desigualdade social e econômica, à competitividade.

Ricardo Ferrari – Quintal (2013)
Na perspectiva da integralidade: torna-se sem sentido quando não se tem uma perspectiva de pertencimento, de convívio com os outros em temporalidades longas.

👉 O que é o processo educacional?

O processo educacional, principalmente aquele presente nos sistemas de ensino, é uma decisão política acerca do futuro de uma sociedade. É preciso pensar projetos educacionais que possam, em sua complexidade, dar conta tanto das necessidades de segurança, proteção e pertencimento, quanto das de liberdade e autonomia.

👉Qual a função da educação infantil nas sociedades contemporâneas?

Possibilitar a vivência em comunidade, aprendendo a respeitar, a acolher e a celebrar a diversidade dos demais, a sair da percepção exclusiva do seu universo pessoal, assim como a ver o mundo a partir do olhar do outro e da compreensão de outros mundos sociais.

Os pais precisam compreender que a escola não é depósito de crianças, e que os professores não são responsáveis por ensinar valores morais e menos ainda, professoras de creche/auxiliares não são babás. O enfoque da presença da criança não é assistencialismo. Nesse espaço educativo, as crianças aprendem rotina, socialização, compartilhar e tantos outros quesitos fundamentais para cidadania.

👉Como deve ser a concepção dos processos educacionais?

É preciso pensar projetos educacionais que possam, em sua complexidade, dar conta tanto das necessidades de segurança, proteção e pertencimento, quanto das de liberdade e autonomia.

As atividades propostas devem ser bem planejadas, não tem como objetivo ocupar as crianças sem intencionalidade, vai muito além. Educar e não 'catequizar' ou 'manejar'. Desenvolver potencialidades, promover autoestima e autoconhecimento. 

👉Qual a função da educação infantil nas sociedades contemporâneas?

Possibilitar a vivência em comunidade, aprendendo a respeitar, a acolher e a celebrar a diversidade dos demais, a sair da percepção exclusiva do seu universo pessoal, assim como a ver o mundo a partir do olhar do outro e da compreensão de outros mundos sociais.

👉No que compromete a função da educação infantil nas sociedades contemporâneas?

Implica em uma profunda aprendizagem da cultura através de ações, experiências e práticas de convívio social que tenham solidez, constância e compromisso, possibilitando à criança internalizar as formas cognitivas de pensar, agir e operar que sua comunidade construiu ao longo da história.

👉O que pode ser feito como intervenção na educação infantil?

Práticas sociais que se aprendem através do conhecimento de outras culturas, das narrativas tradicionais e contemporâneas que possam contar sobre a vida humana por meio da literatura, da música, da pintura, da dança. Contação de histórias coletivas de outras culturas que, ao serem ouvidas, se encontram com as histórias pessoais, alargando os horizontes cognitivos e emocionais através do diálogo, das conversas, da participação e da vida democrática.

👉Já nascemos sabendo nos relacionar com outras pessoas?

Embora sejamos biologicamente sociais, precisamos, no convívio, aprender as formas de relacionamento. Portanto, não nascemos sabendo nem mesmo socialização, a desenvolvemos através de convívio aprendemos formas de relacionamentos.

👉Qual papel da Educação Infantil nesse processo de interação social?

É uma grande tarefa da educação da primeira infância, realizar nas suas práticas cotidianas embasadas no que a cultura universal oferece de melhor para as crianças.

👉Como ocorrem as concepções de educação?

Não acontecem simplesmente na transmissão da informação, neutra e direta. Ocorrem através das tarefas do dia-a-dia que realizamos junto com as crianças, produzindo e veiculando concepções de educação que são efetivadas nas vivências e ações cotidianas nos estabelecimentos de educação infantil com um significado ético. Por exemplo: por intermédio de conversas, da resolução de conflitos, dos diálogos, da fantasia, das experiências compartilhadas com intuito de tornar o mundo mais acolhedor.

👉E se as concepções de educação fossem ocorridas de forma simples, neutra e direta?

Já teríamos resolvido a crise educacional brasileira, mas se efetivam em vivências e ações cotidianas nos estabelecimentos de educação infantil, pois têm significado ético.

👉 Processo de socialização contextualizado:


Ao longo dos anos, as crianças tiveram como ambiente de socialização inicial a família. Nasciam e cresciam cuidadas basicamente por suas mães e pais, avós e tios, irmãs e irmãos mais velhos. Suas interações com outras crianças eram feitas através das brincadeiras de rua, com os parentes e vizinhos. As famílias e as comunidades tinham hábitos, rituais e formas de educação que eram transmitidos de modo muito específico.

Nas cidades, vilas e aldeias pequenas, os comportamentos bastante padronizados e controlados socialmente. Assim, os processos de socialização das crianças eram bem definidos e sintonizados com o contexto de sua cultura local. Após longo convívio, basicamente com familiares e vizinhança, as crianças tinham uma segunda experiência de socialização apenas ao ingressarem no ensino fundamental (média de sete anos), recebiam as influências de suas tradições familiares e da vizinhança, ampliavam suas vivências com as experiências que a escola e a comunidade (convívio com professoras, colegas e outras famílias) poderiam oportunizar.

Na escola tinham a oportunidade de ter contato com o universo científico, artístico, cultural, tecnológico, ou ainda acesso a conhecimentos, experiências e vivências que não seriam possíveis em suas famílias. Em muitos casos, esses conhecimentos e experiências auxiliavam as crianças a problematizarem seus modos de ser, pensar, fazer. A escola ainda cumpre esse papel em muitos lugares do Brasil, principalmente em regiões como campos, florestas, áreas ribeirinhas ou em pequenas cidades do interior ou do litoral.


👉 Como se dá, atualmente, a socialização das crianças? 

Os meios de comunicação, a cidade e as tecnologias audiovisuais, influenciarem nos modos como as crianças aprendem a realizar sua participação na cultura. Sociedades complexas (mundializadas e midiatizadas), no mundo urbano contemporâneo, a socialização das crianças ocorre ao mesmo tempo no meio próximo, familiar e em um ambiente social, o estabelecimento educacional.

Ao ingressarem na escola, começam a conviver com adultos e outras crianças que não pertencem às suas famílias e que possuem hábitos, modos de falar, brincar e agir algumas vezes muito diferentes dos seus.

Nas relações que estabelecem com muitas pessoas e nas experiências concretas de vida diferenciadas, com grande presença dos meios de comunicação social que trazem mundos distantes para dentro das casas. Isso abre perspectivas para a aprendizagem de configurações de outros modos de socialização. As crianças, com experiências ampliadas, aprendem a viver e a conhecer um mundo permeado pela pluralidade desde muito cedo. Desse modo, se faz com a construção de identidade(s) múltipla(s) e com possibilidades de pertencimento ampliadas.

👉Além das mudanças sociais, que provocaram outro modo de analisar a socialização das crianças, também há as concepções sobre os processos verticais de socialização que vêm sendo colocados em discussão nas últimas décadas. 

Obra de Karl Ernst Papf
👉 Por que durante muitos anos, a socialização foi percebida como um processo hierárquico?

Porque possuía uma direção vertical descendente, na qual os adultos ocupavam o vértice superior e as crianças o inferior. O sentido era sempre de cima para baixo. Nessa perspectiva, as crianças chegavam ao mundo sem nada saberem, concebidas como seres incapazes, enquanto os adultos eram responsáveis por apresentarem o mundo para elas. Essa situação deveria resultar na incorporação passiva de um mundo dado e definitivo, desconsiderando as possibilidades de resistência das crianças a esse modelo. Essa visão de socialização pressupunha uma concepção de aprendizagem como um movimento do mundo externo em direção ao interno dos seres humanos. 

Nos últimos anos, essa relação unidirecional do processo de socialização passou a ser questionada. Porque os conhecimentos científicos que temos hoje sobre os bebês indicam que, desde muito pequenos, mesmo antes do nascimento, já estão em relação com o mundo. Também as mudanças nos costumes demonstraram que as crianças não são passivas: elas observam, tocam, pensam, interagem o que nos possibilita afirmar que elas sempre foram ativas em suas interações com as pessoas adultas e os meios em que estavam situadas, mas a sociedade não reconhecia essa participação.

Thaïs Vanderheyden 
👉 Como o mundo material e simbólico é oferecido à criança?

Através das pessoas, da cultura, dos alimentos, da natureza e é certo que ela o incorpora. Porém, a criança não o compreende a partir da lógica adulta, pois com ele se relaciona de modo particular.

Partindo desse princípio, devemos nos atentar para o olhar infantil, despido de malícia adulta. Mudar nosso olhar e tentar compreender como as crianças enxergam o mundo, perceber sua naturalidade ao lidar com o mundo. Adultos esquecem como é ser criança e tentam impor que crianças enxerguem o mundo adulto antes do tempo.

👉 Como as crianças compreendem esse mundo material e simbólico?

As crianças, em suas brincadeiras, em seus modos de falar, comer, andar, desenhar, não apenas se apropriam com o corpo, a mente e a emoção daquilo que as suas culturas lhes propiciam, mas investigam e questionam criando, a partir das tradições recebidas, novas contribuições para as culturas existentes.

👉Ao falarmos de socialização, estamos também discutindo uma compreensão sobre processos de aprendizagem. Como se dá essa relação?

Ideologia limitada e ultrapassada: Pregava que as teorias de aprendizagem, elaboradas ao longo dos anos, subsidiaram as idéias de socialização e, através delas, também eram pensadas. Compreendiam que, ou os seres humanos nasciam fadados a um destino (independentemente das ações e experiências que tivessem) ou ao nascer, não possuíam nenhuma capacidade nem referência e que o mundo ao seu redor as modelava.

Ideologia Interacionista e dialógico: Promove tanto as mudanças no conceito de socialização quanto no conceito de aprendizagem. Elas estão enraizadas em outros modelos de compreensão dos seres humanos e das relações sociais. Pensar os seres humanos como sujeitos de interações e a sociedade como uma democracia exige conceber a socialização e a aprendizagem numa relação dialógica.


👉A família, por exemplo, foi uma das instâncias de socialização que sofreu grandes mudanças nos modos de ser concebida ao longo dos três últimos séculos no ocidente.

Família tradicional ou nuclear: Considerada o modelo adequado para avaliar, compreender e pesquisar as famílias. Comuns em livros didáticos, fotos de propagandas e nos demais discursos que possuem vitalidade em nossa sociedade. 

Pseudo-famílias Margarina: Usadas na televisão, propaganda e também na religião e da justiça – podemos verificar que as famílias são representadas como grupos de pessoas, geralmente ligadas por laços sanguíneos, que incluem um homem, uma mulher e crianças, na maioria das vezes um menino e uma menina. O homem é o responsável pelo sustento material da família e a mulher pela reprodução e organização da vida familiar. 

Apesar dessa família não ter tido no Brasil uma existência real, ela ainda está presente em grande parte do imaginário nacional. 


Isso vai de encontro com a realidade social, mas por que as pessoas ainda não aceitaram que o quadro "Família Margarina" não existe mais?

Contudo, se olharmos com atenção ao nosso redor e se lermos atentamente as estatísticas, veremos que essa composição, além de não ser natural, nunca foi predominante, e vem sendo substituída por uma pluralidade radical de formações familiares como a monoparentalidade e a homoparentalidade, tornando explícito o diálogo transformativo inerente aos processos sociais. 


A realidade das famílias no mundo vem sofrendo modificações, ainda não plenamente aceitas - ainda há muita resistência quanto à quebra de padrão (imaginário), o que muitas vezes alimenta apenas a intolerância e a violência institucional.

Se as mulheres lutaram, e lutam ainda, para romper com o modelo único de família e a fixidez do lugar social a elas determinado, foi a partilha da educação das crianças com a escola que pode tornar viável novas configurações e organizações familiares. Ou seja, a igualdade dos direitos entre homens e mulheres na sociedade só poderá se consolidar se as instituições sociais tiverem novas significações. Dentre as instituições sociais que mais contribuíram para a possibilidade de constituição de novas oportunidades para as mulheres na sociedade e de formas alternativas de realizar a maternidade estão as creches e as pré-escolas. Afinal, elas desempenham um importante papel na liberação das mulheres como principais responsáveis pela educação das crianças pequenas. 

CRECHES - Objetivo primário: foram criadas pelas necessidades econômicas do capitalismo industrial com o objetivo central de substituir as atividades maternas enquanto as mães trabalhavam, tornaram-se, nesse momento, parceiras das mulheres na sua busca pelo exercício de outras funções sociais. 

Reinvenção das escolas de Educação Infantil: 

As escolas infantis foram sendo reinventadas, desde meados do século XX, para se tornarem colaboradoras dos homens e das mulheres contemporâneos na educação e cuidado das crianças. O modo como os estabelecimentos de educação infantil são organizados já demonstram o quanto foram pensados para, além de propiciarem às crianças espaços para as aprendizagens, realizar, em um espaço público e de vida coletiva, ações para o cuidado e a educação das crianças que sempre foram consideradas como da vida privada: a alimentação, a higiene e o repouso. 


IMPRESCINDÍVEL A INTEGRAÇÃO: FAMÍLIA, SOCIEDADE E ESCOLA

A situação de compartilhar a educação das crianças traz a necessidade social de um diálogo contínuo entre família, sociedade e escola. Ambas necessitam determinar os papéis de cada uma – o que compete à escola e o que compete às famílias – considerando a impossibilidade de haver uma regra única. As atribuições nascem das necessidades e das possibilidades de ambas as instituições e do diálogo entre elas. A isso denominamos colaboração entre as partes.

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Desenvolvimento infantil: Primeiros anos


O cérebro é o principal órgão de aprendizagem do ser humano..Nos primeiros anos de vida, entre 0 a 6 anos, a criança tem maior plasticidade cerebral, nesse período ocorre o desenvolvimento das capacidades fundamentais. 

Plasticidade cerebral: "A plasticidade cerebral consiste em uma reorganização da estrutura neural do indivíduo ao viver uma experiência nova, ou seja, a capacidade das sinapses, dos neurônios ou de regiões do cérebro de alterar suas propriedades através do uso ou estimulação. A partir disso, é possível afirmar que o aprendizado não ocorre de maneira automática, pois a aquisição de informações depende de conhecimentos já existentes, ou seja, os “conhecimentos prévios” e também de uma carga considerável de estímulos para que esse aprendizado permaneça em atividade constante, fortalecendo e desenvolvendo as redes neuronais do cérebro." (ElosEducacional)

'Dizem' que: "A criança idealizada é o adulto do futuro!" 

Uma criança esperançosa, saudável, autônoma, crítica, criativa, curiosa, feliz... Será que existe um modelo ideal de criança? Analisando essa ideia, me questiono. Criança é um ser humano em pleno desenvolvimento e como qualquer ser humano, tem suas características peculiares, sentimentos e distinções. 

O ambiente em que vivem e condições socioeconômicas são fatores que interferem diretamente na vida desses indivíduos. Um ambiente positivo somado a oportunidades desafiadoras tendem a levar crianças ao sucesso. Diferente de um ambiente hostil e violento que, promove opressão. Exemplo das crianças que vivem nas favelas do Rio de Janeiro, onde a guerra do tráfico de drogas não permite a plenitude da infância. Elas são tolhidas de seu direito à liberdade de ir e vir, de lazer, educação e tantos outros. Muitas são impelidas a seguir pelo caminha da marginalidade para garantir a sobrevivência.

Numa nação em que predomina a corrupção e desonestidade, onde a educação e a saúde públicas são assuntos rebaixados, o que esperar dos adultos do futuro? As crianças devem ser acolhidas pela família, promovendo a capacitação parental, pois o que é muito comum, é a ocorrência de violência física e/ou psicológica como método de garantir que as crianças tenham bom comportamento ou executem as atividades que lhes são obrigatórias. Deve-se frear tudo que causa impacto negativo, ressaltando que o excesso de regras e atividades não promovem desenvolvimento positivo. Muitos pais colocam os filhos em diversas atividades com propósito de preencher o tempo dos filhos, mas será que há qualidade nesse tempo? Há crianças que tem a agenda diária repleta de atividades e mal conseguem brincar, pois não tem tempo. É imprescindível o tempo para exercer a infância e não apenas seguir uma agenda pré-determinada. Criança tem que ser criança!!!


A instituição escolar em parceria com a família podem proporcionar a evolução, favorecendo a formação de crianças de sucesso e com futuros êxitos na vida adulta. O abandono afetivo como resposta à falta de tempo da família/responsáveis causam enormes prejuízos. Deixar a criança na creche, não irá 'tapar o buraco emocional', formado pela desatenção familiar. 

A formação de um vínculo afetivo familiar, promove segurança emocional, quer seja um afago, um sorriso, um abraço e palavras carinhosas de incentivo à criança... esse acolhimento rende verdadeiros milagres! Para o professor, essa ideia também é válida, pois um sorriso e empatia, podem ser usados favoravelmente, para explorar o potencial do educando.

As Diretrizes Curriculares afirmam que brincar é essencial! Para garantir os direitos das crianças existem as políticas públicas para oferecer condições favoráveis, mas nem sempre são executadas. O cérebro é responsável pela emoção, linguagem, percepções e o ato de brincar, amplia essas capacidades. No marco legal da primeira infância, está o direito de brincar, assegurado pela Lei n° 13.257, de 08 de março de 2016. Estudos comprovam que quanto mais a crianças brinca, mais ela aprende, pois estimula o desenvolvimento do córtex pré-frontal.

Um estudo publicado em 2010 na revista Proceedings of the National Academy of Sciences concluiu que as regiões cerebrais que mais se desenvolvem na infância são precisamente as que diferenciam o ser humano dos primatas. Segundo os autores, as regiões que mais se expandem nessa fase são as que estão ligadas às “funções mentais mais elevadas”, como a linguagem e o pensamento, ou seja as regiões temporal lateral, parietal e frontal.(Pais & Filhos)

Alguns pais/responsáveis acreditam que antecipar a alfabetização, é uma garantia de sucesso. Mas não é bem assim. Atividades mecânicas e repetitivas não ajudam. A grande preocupação em preparar e capacitar educadores para a educação infantil é ocasionar menos impactos negativos no desenvolvimento das crianças. É necessário priorizar o brincar e a brincadeira, a qualificação profissional dos professores sobre as especificidades da Primeira Infância e reforçar a importância da família.

Deve-se pensar no ato de "brincar" como uma ferramenta para a aprendizagem.  

Na brincadeira de faz-de-conta elas demonstram e dizem o que pensam (muitas vezes sem verbalizar), demonstram o que sentem (mesmo sem saber explicar), imaginam situações, fantasiam, expressam suas verdades. É importante o desenvolvimento da coordenação motora global.

A experiência de tocar objetos de escolha da criança, permite experimentar sensações, texturas diferentes, observação de formato e cores. Aqueles que brincam bastante, geralmente, são flexíveis, autônomos, sabem dialogar, enfrentam situações diversas, desenvolvem raciocínio, linguagem e amplitude de área espacial, coordenação motora, dentre outros benefícios.

É preciso repensar na importância do vínculo familiar e de confiança, assim como na formação do educador e no propósito de desenvolvimento integral. A ampliação da cultura lúdica é específica de quem brinca, sendo o brinquedo a ferramenta para que o faz-de-conta aconteça. A estimulação do cérebro através de atividades diversificadas faz com que a plasticidade cerebral permita novas ligações neuronais e assimilação de novos aprendizados.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

"A pedagogia como prática teórica" - capítulo 3 do Doc. Práticas Cotidianas de Educação Infantil



"PRÁTICAS COTIDIANAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL - BASES PARA A REFLEXÃO SOBRE AS ORIENTAÇÕES CURRICULARES" - MARIA CARMEN SILVEIRA BARBOSA, 2009). 

RESUMO DO CAPÍTULO "COMO SITUAMOS A PEDAGOGIA" (P. 41- 57)

Pontos importantes do capítulo 3, "A pedagogia como prática teórica", do documento Práticas Cotidianas na Educação Infantil - Bases para a reflexão sobre as orientações curriculares, de Maria Carmen Silveira Barbosa.

3.1 COMO SITUAMOS A PEDAGOGIA

Neste capítulo, é afirmado historicamente sobre os modos como a pedagogia é aplicada, seja em espaços formais ou espaços não formais, por intermédio da escolha de percurso e de suas práticas, expressa-se a intencionalidade e seu compromisso educacional.

Pedagogia é conceituada como modelos educacionais racionalizados em princípios claros e coerentes com suas práticas, baseado em crenças, princípios, interesses, concepções científicas e políticas dos grupos sociais.

As pedagogias, historicamente, conciliam práticas, reflexões e recentemente pesquisas. Ou seja, em sua peculiaridade de prática teórica apresenta-se como espaço tanto descritivo ou especulativo (hipóteses) quanto de intervenção social, de ação transformadora da realidade.

Atribuições da pedagogia: realização de atos com intencionalidade, ciente de que não formatará pessoas, mas promoverá ações inter-relacionadas. Portanto, requer enfoque em atentar para escolhas éticas, decisões políticas e ações práticas.

É uma disciplina de fronteiras, por ser constituída pela interdisciplinaridade, ou seja, dialoga com outras disciplinas ou ramos do conhecimento. Fato desvalorizado por longo tempo, porém na atualidade, saberes e conhecimentos científicos específicos, são inter-relacionados. De modo que, os campos de produção práticas dialogam com diferentes disciplinas teóricas, organizam pensamento e ação em determinadas situações e contextos.

Pensamento pedagógico objetiva investigar sistemas de ação inerentes às situações educativas, ou seja, a concretização da experiência educativa. Pois tece tanto discursos sociais, políticos, ambientais, entre outros, além de compor, também, pequenos discursos do cotidiano, articulando contextos aos processos complexos de produção de saberes. Portanto, as pedagogias são plurais, devido ao modo como articula, propõe, programa e realiza os processos pedagógicos, sempre singulares e complexos.

Funções pedagógicas: descrever, problematizar, questionar e complementar. Assim, onde há produção de conhecimento, de saber, de aprendizagem, práticas sociais de construção de conhecimentos, haverá a pedagogia.

Implicações pedagógicas: reflexão acerca do mundo socioeconômico e cultural, de modo a estabelecer relações e interações entre pessoas.

Pedagogia da Educação Infantil: Emergiu no fim do século XIX e início do XX. Constituída por pensamento semelhante ao da psicologia, ciência emergente na época, e entre seus objetivos, tinha o estudo de crianças, em seus processos de desenvolvimento e aprendizagem.

Por longos anos, a pedagogia para a pequena infância, em grande parte dos países, tornou-se um espaço de aplicação prática das pesquisas e conhecimentos definidos sobretudo por diferentes linhas da psicologia, todavia, na creche, houve predominância, por anos, de saberes da puericultura.

A partir da década de 60: História, sociologia, antropologia, filosofia, neurologia, geografia e outras ciências, começaram a construir conhecimentos sobre as crianças e as infâncias, e passaram a informar e subsidiar o campo da pedagogia, partindo de suas especificidades em ponto de vista. Nesse processo, interrogaram e problematizaram as práticas pedagógicas apoiadas na concepção de desenvolvimento como evolução linear, ou seja, simplificado, de aprendizagem como resultado individual e de pedagogia como ação comprometida apenas com os aspectos cognitivos do processo educacional.

Últimos 30 anos: propostas pedagógicas para Educação Infantil passaram por questionamentos, reflexão e reelaboração das suas práticas.

Concepção de pedagogia, mais abrangente e complexa: articula educação e cuidado. Tem fundamento na observação, investigação e na busca contínua de práticas cotidianas comprometidas com o acompanhamento, análise e a reconsideração das mesmas, para evidenciar pistas para formulação dessa outra pedagogia que emerge como metapedagogia, tem sua percepção relacional e dialógica.

Metapedagogia (*) - Por Jarabiza e Figueiredo Jr (2010) - objetiva à otimização da prática de ensino e aprendizagem.

Ação pedagógica: Ato educacional que evidencia intencionalidade, ou seja, se todas as ações ocorridas no âmbito educacional forem resultados do pensamento, planejamento, problematizações, debates e das avaliações, significa que estas ações explicitam as opções pedagógicas institucionais e de seus profissionais, o que configura uma pedagogia, levando em conta a articulação entre saberes, fazeres, pensares, sentires.

Exemplo de ação pedagógica de rotina com intencionalidade: A chegada das crianças ao estabelecimento educacional é uma prática social, o horário de entrada e recepção das crianças e família são pré-estabelecidos. São decisões tomadas partindo de análise de necessidade das famílias, da discussão e negociação com a comunidade, da reflexão sobre os critérios de atendimento às diversidades familiares e, também, partindo da discussão sobre a implicação dessa ação nos contratos dos profissionais e no desempenho educacional das crianças e dos projetos pedagógicos.

Dois aspectos explícitos nas proposições educativas: Um, é que nem todas as ações, por mais intencionais garantem efetividade de aprendizagem simultânea para todas as crianças e outro, é que nem todas as aprendizagens acontecem apenas por razão da intencionalidade pedagógica. Pois o cotidiano de um grupo de crianças em certo local é sempre mais rica do que possa ser previamente pensado e planejado, pois a convivência cotidiana implica eventos inesperados.

Intencionalidade pedagógica: Define o trabalho docente, e só é conquistada através de formação profissional sólida, um olhar sensível e atento. Oportuniza às crianças conhecimento através de situações desafiadoras e aconchegantes, instigantes e importantes, apresentadas pelo mundo à nossa sensibilidade e racionalidade

3.2 COMO ENTENDEMOS O CONHECIMENTO

Historicamente, os seres humanos viveram distintos "sistemas de conhecimentos". Para quem tem uma percepção mais profunda, cada um apresenta-se claro e evidente, pois sua organização parte do senso comum. Outros, causam estranhamentos por serem produzidos por grupos distintos, em espaços e tempos diversos, tais como nações indígenas, ou ainda, baseados em culturas populares ou sistemas que aparentemente são inapropriados ou desarticulados.

Conhecimentos cotidianos: Estruturados e organizados inicialmente por religiões, depois pelas artes e ciências, e ocuparam por séculos, a posição de absolutos inquestionáveis. Porém, a partir do final do século XX, com as discussões sobre concepções de conhecimento, evidenciou-se que os conceitos sociais, científicos, artísticos e religiosos foram produzidos e construídos socialmente e que não são únicos e nem definitivos, todavia eram versões parciais comprometidas historicamente com visões de mundo e de humanidade.

O conhecimento científico, atualmente, é centralizado ao longo da história ocidental, e especialmente, na escola, passou a ser questionado. Contudo, essa crítica foi originada pelos próprios cientistas, que questionaram seus métodos e verdades.

Nos últimos 50 anos, ocorreram mudanças importantes no modo de produção e organização dos conhecimentos nas sociedades ocidentais contemporâneas. O conhecimento científico passou de um conhecimento disciplinar a permear o todo o sistema educacional com a interdisciplinaridade.

Conhecimentos que eram considerados universais e verdadeiros, hoje podem ser avaliados como produtos da elaboração de uma classe social, de um gênero ou etnia com sua experiência histórica. Exemplo: diferenças entre brancos e negros, provocou o regime de escravidão; a ideia de incapacidade das mulheres em relação aos homens, estimulando uma sociedade patriarcal; a perspectiva adultocêntrica de compreender o mundo.

Atualidade brasileira: as diferenças culturais, étnicas, etárias, de gênero e de inserção na forma de produção promovem influência na seleção e na organização de saberes e conhecimentos escolares. São identificadas em diversas situações, de modo que entende-se que os conhecimentos não são neutros ou imutáveis. O desafio é transformar esses saberes e conhecimentos em práticas cotidianas para que possibilite às novas gerações a quebra de preconceitos científico e político persistente na sociedade.

Hierarquia entre campos de conhecimento é uma característica que vem sendo questionada, na medida que são estabelecidas diferenças e valorações entre as áreas. Pois os conhecimentos são de ordens distintas e não seguem uma hierarquia única, de modo que não se deve enfatizar apenas as áreas acadêmicas reconhecidamente sistematizadas para crianças, isso representa uma ausência de compreensão da multidimensionalidade dos processos de aprendizagem infantil.

A ciência reconhece que saberes cotidianos estão em processo de tornarem-se conhecimentos científicos, com foco na atenção e na reflexão destes saberes, permite sua sistematização e legitimação. É notório que a educação de crianças pequenas requer diversos conhecimentos, antes ignorados nos processos escolares, passaram a ser legitimados.

Na conjuntura mundial, percebe-se que certos conhecimentos, hoje, tem mais importância na sociedade que em outras épocas. Contudo, nas propostas educacionais, são temas pouco evidenciados. Atualmente, as tecnologias, a mídia e o meio ambiente interferem na vida das pessoas, e no caso da educação de crianças pequenas requer questionar conhecimentos e aprendizagens oportunos e adequados, a fim de formação de futuros cidadãos e de como querem viver no futuro.

Objetivo da Educação Infantil, do ponto de vista do conhecimento e da aprendizagem: favorecer experiências que permitam à criança apropriação e imersão em sua sociedade, por intermédio de práticas sociais de sua cultura, das linguagens que esta produz e produziu, a fim de construir, expressar e comunicar significados e sentidos.

Deve-se oferecer às crianças, situações práticas e vivências que possam ser processadas e sistematizadas, desde o nascimento. Por isso, é preciso optar outros modos de priorizar, selecionar, classificar e organizar conhecimentos, próximos de experiências dinâmicas das crianças e não de visão fragmentada da especialização disciplinar, problematizada pela ciência.

Ampliação de concepções de conhecimentos e saberes contribui para a compreensão e a valorização do pensamento infantil como modo de pensar.

Há uma diversidade de modos de aprender e produzir conhecimentos. O pensamento infantil, na maneira pela qual o cérebro reconhece e utiliza o corpo como instrumento relacional com o mundo, parte da ação, da fantasia, intuição, razão, imitação, emoção, linguagens, lógicas e da cultura.

A infância era desqualificada pela alegação de ausência de racionalidade, porém com o novo olhar, é possível evidenciar a riqueza nas formas próprias de racionalidade dessa fase. Com esse enfoque, pode-se propiciar uma educação, em que mantenham a sensibilidade para construir a razão, instigando o convívio e a potencializar sua imaginação em pensamentos, lógica e experiências que se tornam complexas reciprocamente.

A análise de algumas propostas curriculares evidencia que conteúdos se perpetuam, apesar das mudanças sociais, culturais e científicas da sociedade, ressalta-se ausência de movimento e atualização dos mesmos na intencionalidade pedagógica. São reconhecidos apenas conteúdos sistematizados em disciplinas formais e transmitidos de forma linear, fragmentada e repetitiva.

O objetivo inicial da escola era divulgar e distribuir conhecimentos, quando esta era a única que detinha a capacidade de promover acesso aos saberes e informações. Hoje, é apenas mais uma dentre muitas instituições de informações, por exemplo, as mídias, muitas vezes são mais poderosas e comunicativa.

O papel da escola não se limita apenas como transmissora, mas como construtora social de estratégias de organização e problematização dos conhecimentos e informações. Deve oferecer um espaço para pensamento, construção de contraculturas, culturas pessoais e comunitárias, para perguntas e busca de respostas nos processos dinâmicos de construção coletiva de conhecimento.

Características instigantes da produção de conhecimento nas sociedades atuais, afirmá-los sempre abertos, parciais e contingentes. As crianças aprendem a produzir significados, por intermédio de processos de interações com os conhecimentos, pois para elas não há segregações, são os adultos que o fazem, pois assim o aprenderam.

3.3 COMO COMPREENDEMOS O CURRÍCULO

Na educação infantil, não há clareza na terminologia empregada para referenciar a organização curricular. E há grande dificuldade de distinguir entre propostas pedagógicas e proposta curriculares. Passou-se a utilizar termos como "projetos pedagógicos" ou "propostas político pedagógicas", no lugar do termo "curricular", por ser mais inclusiva.

Por longo tempo, o que se tinha como currículo, era uma listagem prévia de conteúdos disciplinares, sem sentido para as crianças pequenas, com várias aprendizagens marginalizadas e consideradas irrelevantes como atividades curriculares, que eram mantidas fora do currículo, dos planejamentos e das reflexões de professores.

Substituição da visão restrita de currículo, limitada aos conteúdos pré-selecionados, por uma compreensão ampla com intuito em sistematizar diferentes aprendizagens tanto no contexto interno como externo à escola. Partindo disto, há possibilidade de focar o currículo nas crianças, como protagonistas e concebê-lo como construção, articulação e produção de aprendizagens que ocorrem no encontro entre sujeitos e a cultura.

Um currículo emerge da relação entre sujeitos e nos percursos no mundo. Os conteúdos a serem apropriados pelas crianças tem a finalidade de articular dinâmicas das relações e das significações, trazendo à tona respostas complexas aos questionamentos significativos e não apenas conhecimentos científicos fragmentados.

Elaboração do currículo ocorre com a participação infantil nos processos educacionais e está continuamente sendo reformulado. O professor observa e compreende, na ação, a configuração do pensamento, que não se restringe a transmissão de informação, mas a lançar desafios que estimule ao pensamento.

É imprescindível que haja a ludicidade no currículo, tempo para construção de cultura de pares, pois o conhecimento é construído quando brincam sozinhas ou ao socializarem. Nessa concepção de currículo, o professor permite acesso aos conhecimentos e denominações científicas, além promover integração entre brincadeiras e conhecimentos teóricos-práticos.

O currículo propicia o espaço de encontro, em que se formulam, transmitem e processam conhecimentos explícitos ou ocultos, assim como promovem a interlocução entre educandos e educadores, baseado na articulação de princípios educativos.

Pensar no currículo na atualidade, impõe desafios, pois no debate sobre a educação de crianças pequenas é visível que o currículo oculto promove muito mais conhecimento tanto às crianças quanto aos adultos do que o que consta em planos e programações.

A sistematização do ensino, tradicionalmente vinculado à lógica escolar, não consegue contemplar a complexidade do universo infantil, pois ao seccionar o cotidiano em disciplinas, reduz o poder do pensamento complexo das crianças.

O currículo acontece, concretiza e dinamiza aprendizagens apenas quando as experiências pedagógicas são envolventes e constituem sentido. É imprescindível considerar que para aprender é preciso que as necessidades das crianças e sua subjetividade estejam conectadas com os saberes e conhecimentos das culturas onde estão inseridas, ou por aquelas pelas quais estão sendo desafiadas. Isso promove uma integração entre conhecimentos e vivências, assim como uma co-relação com os contextos pessoais e a aprendizagem, favorecendo uma narrativa pessoal e coletiva. Desse modo, o currículo não é compreendido como prescritivo, e sim, como ação produzida entre educandos e educadoras, ressaltando princípios educativos.

A importância do currículo estar articulado com práticas culturais de determinado grupo, em tempo e espaço, por expressar uma cultura. Deste modo, não pode ser desvinculado do contexto social que engloba os contextos familiares envoltos em valores, que podem ser destacados na formulação de princípios e dos conhecimentos curriculares. Contudo, deve haver uma preocupação institucional para transformação de valores, caso sejam contrários aos princípios éticos.

A vida social em sua complexidade está presente no currículo da educação infantil, mesmo que as novas concepções de currículo destaquem-se em pesquisas e em discursos acadêmicos, a orientação e sistematização da ação educativa prossegue como uma listagem de objetivos e conteúdos, em grade obrigatória. Em alguns casos, pautado pelas áreas de conhecimento e em outros, pela faixa etária. Com isso, percebe-se que a complexidade que permeia o cotidiano não é valorizada e não é usada como método "científico" de produção, registro e organização das práticas educacionais. Ressalta-se que algumas propostas curriculares são extremamente específicas que reduz a condição do professor a apenas um aplicador ou reprodutor de pensamentos, planejamento e elaboração de outros profissionais.


TENDÊNCIAS RECORRENTES NA EDUCAÇÃO INFANTIL:

ÁREAS DE DESENVOLVIMENTO

Estabelecida pela psicologia do desenvolvimento como campo de observação e estudo, serviram por anos como referencial para pensar padrões de educação de crianças pequenas. Sendo as bases para a organização curricular da educação infantil, as áreas motora, afetiva, social e cognitiva, com a finalidade de que através de suas propostas fosse oferecida de modo progressivo, possibilidades de aquisição de competências e habilidades em cada área para as crianças. Por essa razão, a professora estudava separadamente cada área para proporcionar o desenvolvimento das habilidades, e a pauta de desenvolvimento era a referência para a avaliação.

ÁREAS DE CONHECIMENTO

Tem como referencial o modelo das disciplinas do Ensino Fundamental e Médio, é formatado a partir da estrutura das disciplinas escolares. As propostas educacionais emergem da concepção ultrapassada de educação linear e gradativa, em que o papel da escola é transmitir conhecimento previamente organizado, priorizando informações de listas de conteúdos e respectivas atividades. Embora existam modos variados de compor conhecimento, organizar e denominar áreas de conhecimento, a maioria das escolas preocupam-se com definições graduais, conteúdos específicos, e algumas sugerem abordagens interdisciplinares. Aparentemente consideram que a investigação intelectual está acima da vivência e do que faz sentido para as crianças.

CALENDÁRIO DE EVENTOS

Há currículos de escolas de educação infantil que contemplam um calendário de eventos (religioso, civil e comercial), que anualmente torna-se maior, e que as práticas educativas são determinadas por ele.

CONTROLE SOCIAL

É um currículo que promove submissão, impõe disciplina de corpo, mente e emoções. Há escolas de educação infantil onde os conhecimentos, os saberes e as aprendizagens ocupam um lugar marginal. Lugares estes, em que a imagem de infância predominante é a de que as crianças são naturalmente indisciplinadas. O principal objetivo destas instituições é de exercer controle sobre as crianças e doutriná-las na realização adequada de tarefas escolares. Essas instituições geralmente não possuem uma proposta político-pedagógica nem uma discussão clara sobre política e pedagogia.

CONTEXTOS EDUCATIVOS E/OU NÚCLEOS TEMÁTICOS

A organização de ensino para estes conteúdos curriculares é feita através de projetos e temas geradores. Partindo da observação de que muitos aspectos importantes da vida cotidiana infantil e das instituições permaneciam ignorados dos currículos oficiais, algumas propostas passaram a incluir, além das áreas de conhecimentos, temáticas denominadas de contextos educativos e/ou núcleos temáticos. Temas relacionados à sexualidade, à violência, à morte, à separação dos pais, à adoção, à violência, à alimentação e à religião, dentre outros, emergiram da necessidade de contemplar as especificidades da vida das crianças pequenas em seus contextos, com intuito de auxilia-las a compreenderem tanto a si mesmas quanto às realidades em que vivem. Pela complexidade das temáticas, envolvem um trabalho coordenado por professoras, mas articulado com crianças, pais e demais profissionais.

LINGUAGENS

Muitas propostas pedagógicas emergiram, atualmente, pautadas em linguagens. É uma abordagem recente na educação infantil, considerando-se que a apresentação das bases teóricas ainda é muito sucinta e as compreensões diferenciadas, o que leva à diversos questionamentos. Geralmente, a linguagem é interpretada como um campo disciplinar, a linguagem verbal.

Há situações em que cada linguagem corresponde a uma disciplina, Ex.: linguagem musical ou plástica e ainda, outras vezes, aparecem como formas de expressão relacionadas a instrumentos, ferramentas e tecnologias como a linguagem informática e a cinematográfica, etc. Ou algumas vezes, aparecem condensadas como em linguagens da arte ou linguagens artísticas; outras, subdivididas, como a linguagem do desenho, da pintura, da escultura.

Na Educação Infantil, as linguagens mais enfatizadas são, principalmente, as das artes visuais, do corpo e do movimento, da música, da literatura, da linguagem oral, do letramento, da natureza e da sociedade.

Independente da ausência de uma discussão mais contundente que permita considerar a complexidade e ambiguidade do tema, a importância da ideia das linguagens nos currículos é a de que permite considerar a multidimensionalidade das crianças. Pois considera a criança em um aspecto mais amplo dentro da concepção de infância.

Um currículo não pode ser previamente definido, ele só pode ser narrado e acontece no tempo da ação e emerge do encontro entre famílias, crianças e docentes, visto que as famílias e as crianças trazem valores, saberes culturais e experiências de inserção social e econômica diversificados. Portando, o currículo deve ser flexível

As escolas oferecem modos de gestão e organização dos ambientes escolares, propiciando as condições educacionais, contudo os docentes e demais profissionais trazem da sua formação profissional concepções de teorias e práticas pedagógicas que orientam sua ação.

A projeção e elaboração de um currículo é importante porque nos faz refletir e avaliar nossas escolhas e nossas concepções de educação, conhecimento, infância e criança, reorientando nossas opções. E essas são sempre históricas, sempre redutoras diante da imprevisibilidade que é viver no mundo.

REFERÊNCIAS

BRASIL. Práticas Cotidianas na Educação Infantil – Bases para Reflexão sobre as Orientações Curriculares. Projeto de Cooperação Técnica MEC / Universidade Federal do Rio Grande do Sul para Construção de Orientações Curriculares para a Educação Infantil. Brasília, MEC/Secretaria de Educação Básica/ UFRGS, 2009.

JARABIZA, Vander ; FIGUEIREDO JR., S. R. Aprendendo a profissão de professor: o desenho na prática docente. In: II Simpósio Nacional de Educação / XXI Semana de Pedagogia, 2010, Cascavel, PR. Simpósio Nacional de Educão, 2010.


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Estágio em Educação Infantil



REGÊNCIA

Data: 08/12/2017

O planejamento da regência foi elaborado com base no que observei durante os dias de estágio, prender a atenção das crianças, tais como histórias com animais e imitação de sons, música e dança. Com base neste contexto, elaborei um livro utilizando papel A4 com desenhos feitos por mim.

Com base na ideia do livro " Viviana, a rainha do pijama" (S. Webb), resolvi criar um material bem colorido e todo feito a mão. Para dar um pouco mais de rigidez, colei em posters de revistas.

PS: Esqueci de tirar as fotos antes de o material ser manuseado pelas crianças 🙈

 A história de título “Nani e seus amigos em: A grande festa”, com 12 páginas, todo feito manualmente e multicolorido, contendo muitos desenhos de animais. De imediato, ao expor o material, a curiosidade tomou conta da turma e assim, junto às educadoras que encontravam-se na sala, organizamos as crianças em círculo.

Descrição da história: Uma menina chamada Nani, que em parceria com seus pets, a gata Maily e a Cadela Mel, resolveram fazer uma festa e convidar seus amigos com seus respectivos pets, através de cartinhas e junto com a resposta de comparecimento, solicitava a música favorita dos convidados. Cada qual representava um grupo, tais como fadas, soldados, realeza, índios, marinheiros, aventureiros, fazendeiros e ciclistas.



As peninhas são verdadeiras - colhidas no parque. As crianças, uma a uma, tocaram para exercitar a sensibilização.
CONVITES









Conforme fazia as leituras dos convites e respectivas respostas, cantávamos a música escolhida, dentre elas: “A dança da fadinha”, “Marcha Soldado”, “Se você está contente”, “Os indiozinhos”, “Marinheiro só”, “Negro lindo”, “Pintinho amarelinho” e “Caranguejo”.

A ideia original era que após cada música fosse dado o brinde confeccionado com base no contexto da história, todos feitos de papel, caneta colorida, lápis de cor e glitter. Contudo, precisei deixar para o final, pois causou agitação entre as crianças pela curiosidade, ocasionando desentendimento entre os pequenos. Dentre os brindes havia: varinhas para fadas, chapéus de soldado, coroas, cocares, barquinhos, borboleta, tartaruga, celulares Icreche e ovelhinhas.


Após finalizar os convites e as confirmações, cantei um trecho da música “Tempo de alegria” - Ivete Sangalo e joguei bexigas coloridas para o alto. Todos brincaram tanto com as bolas quanto com os brindes. Porém, a professora decidiu recolher para evitar disputa.

Acredito que as crianças gostaram, visto que interagiram cantando e dançando.😁🙏

Na maior parte do tempo, a maioria prestou atenção e mostraram-se curiosos a cada página. Um momento interessante foi quando na p.03, visualizaram o cachorro e fizeram imitação, assim como tocaram as peninhas de verdade que estavam coladas na página e também reconheceram alguns animais, como a aranha.


Em geral, como avaliação, foi satisfatória a experiência e consegui prender a atenção da maioria por tempo considerável e atendeu as minhas expectativas.