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terça-feira, 10 de outubro de 2017

Pedagogia da Autonomia - Paulo Freire (Capítulo 1)

O livro Pedagogia da Autonomia discute um conjunto de saberes necessários aos empenhados em construir uma relação educativa transformadora, intra e extra muros escolares. Nesta postagem, pontuei passagens importantes do capítulo 1, através de levantamento de ideias como auxílio em meus estudos com referência em Paulo Freire.
"Ninguém é sujeito da autonomia de ninguém. Por outro lado, ninguém amadurece de repente, aos vinte e cinco anos. A gente vai amadurecendo todo dia, ou não. A autonomia, enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, é vir a ser. 
(Paulo Freire)
ÉTICA - RESPEITO À DIGNIDADE - ESTÍMULO À AUTONOMIA DO EDUCANDO

A leitura nos impulsiona a questionar a prática pedagógica autoritária


O EDUCANDO PRECISA SER PROTAGONISTA!

Educandos são sujeitos sócio-histórico-culturais!

Enfoque do livro Pedagogia da Autonomia (1996) - Uma postura flexível e amorosa facilitam a relação educador x educando, a fim de permitir um ambiente favorável à produção de conhecimento, é imprescindível ter coerência nas ações. Ressaltando que o medo apenas domestica ou doutrina, mas a relação de respeito amplia espaço para a troca e o compartilhamento de conhecimento e saberes.

ALERTAS
  • Necessidade de assumirmos uma postura vigilante contra todas as práticas de desumanização por intermédio da auto-reflexão crítica;
  • Cuidado para a força de seu discurso ideológico e para as inversões que pode operar no pensamento e na prática pedagógica ao estimular o individualismo e a competitividade;
  • A solidariedade enquanto compromisso histórico de homens e mulheres, como uma das formas de luta capazes de promover e instaurar a “ética universal do ser humano";
Esse livro leva a reflexão da formação docente, assim é imprescindível haver um exercício permanente de troca de saberes. Todos trazemos uma bagagem de conhecimento em amplo aspecto, que deve ser valorizado e respeitado. Alunos não podem ser apenas expectadores, devem ser ativos, críticos e questionadores. O docente deve ter uma postura vigilante, pois somos seres condicionados e não determinados, e compreender que educação não é apenas objeto ou bem de consumo.



Será que os educadores estão incentivando a prática de autonomia ou apenas estamos reproduzindo um velho modelo de adestramento, ignorando os conhecimentos prévios dos sujeitos? 

Responsabilidade ética no exercício da prática docente

Deve-se pensar e analisar qual a sua concepção pedagógica de ensino. Com base no enfoque da formação científica, ética, respeito, coerência de ações, capacidade de viver e de aprender com o diferente, não permitir que a antipatia quanto à determinadas pessoas se sobreponha, portanto são atitudes que requerem humildade e perseverança.

A defesa da ética universal do ser humano pactua com o respeito aos pensamentos distintos, pois cada indivíduo ou grupo tem suas ideias, ideais e conceitos. Todavia, não significa que deve desmerecer o de outros. Há um meio termo para as diversas situações, usar a ética e a diplomacia é crucial, pensando na ética como algo absolutamente indispensável à convivência humana.  

Ser humano é um objeto inacabado, passível de mudanças no decorrer do tempo, incorpora novos elementos em sua análise, assim revê suas concepções e pensamentos. 
O pensamento muda, transforma sob novos ângulos, ou seja, conhecimento é inacabado, incorpora novos elementos. Há muito a ser descoberto e inventado além do que já conhecemos. A humanidade sempre está se reinventando, seja pela cultura, pelas diversas linguagens, pela arte, ciências, religiões, inteligência, sensibilidade.

Se participamos da humanidade com nossas sensibilidade e inteligência relacionamos conhecimento com o mundo, nos humanizamos. Mas se apenas nos adaptamos, perdemos a oportunidade de nos humanizar. 

"É no domínio da decisão, da avaliação, da liberdade, da ruptura, da opção, que se instaura a necessidade da ética e se impõe a responsabilidade."

NÃO HÁ DOCÊNCIA SEM DISCÊNCIA (indicotomizáveis) - Ensinar inexiste sem aprender e vice-versa.

Paulo Freire reconhece que o conhecimento é algo inacabado. A ação educativa é a prática de compartilhar conhecimento. É fato que teoria e prática andam simultaneamente, e que devem ser conteúdos obrigatórios à organização programática da formação docente. Ensinar não é transferir conhecimento, mas criar as possibilidades para a sua produção ou a sua construção.

Docência x Discência - as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem à condição de objeto, um do outro. Quem ensina aprende ao ensinar e quem aprende ensina ao aprender. 

Explicação gramatical: Ensinar- verbo transitivo (quem ensina, ensina algo a alguém) - pede objeto direto (algo) e objeto indireto (a alguém)

Ao viver a autenticidade da prática ensino-aprendizagem: Para Paulo Freire, "participamos de uma experiência total, diretiva, política, ideológica, gnosiológica, pedagógica, estética e ética, em que a boniteza deve achar-se de mãos dadas com a decência e com a seriedade."

Sobre a “curiosidade epistemológica” - é construída pelo exercício crítico da capacidade de aprender.

Educador democrático - Na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão. esse sentido, alonga à produção das condições em que aprender criticamente é possível. Para tal, implicam ou exigem a presença de educadores e de educandos criadores, instigadores, inquietos, rigorosamente curiosos, humildes e persistentes. Nas condições de verdadeira aprendizagem, os educandos vão se transformando em reais sujeitos da construção e da reconstrução do saber ensinado, ao lado do educador, igualmente sujeito do processo. A consciência crítica tem interesse na investigação da trama de relações, e parte do principio de que a cultura, o conhecimento e a historia são produtos humanos e que se transformam permanentemente da ação humana. (conhecimento do mundo x ensina com o mundo). O enfoque não é treinar alunos, decorrente do modelo que apenas adestra.

Ainda é comum nos depararmos com professores que apenas reproduzem o conteúdo didático, sem reflexão, sem criticidade, o que torna a aula um momento enfadonho e nada interessante. Memorizar para uma apresentação ou apenas para responder uma prova não garante o principal, o aprendizado. Não se deve subestimar a inteligência do discente, seja ele criança ou de mais idade. O que instiga a aprendizagem são os desafios propostos, a interação com o o autor-texto e a livre comparação com seu contexto de vida, a conexão com a realidade, e pensar além. Repetições mecânicas e visões literais aprisionam o sujeito, tolhem a liberdade do pensamento e a autonomia.



Projeto Político Pedagógico (PPP): Toda escola tem um planejamento com metas a alcançar, objetivos a atingir, além de sonhos a realizar. A soma destas aspirações e os meios traçados para tornar isso real, é transcrito no PPP. 

É denominado projeto, porque reúne propostas de ação concreta a serem executadas durante certo período de tempo. Político, pois no âmbito escolar, ocorre a formação de cidadãos conscientes, críticos e responsáveis, que serão sujeitos ativos individual ou coletivamente na sociedade provocando mudanças positivas ou negativas. Pedagógico, por definir e organizar atividades ou projetos de cunho educativos pertinente ao processo ensino-aprendizagem.

Quando os conteúdos do currículo escolar são selecionados, assim como a escolha do perfil do estabelecimento escolar, tudo é registrado no PPP. É um documento formal que toda escola deve possuir, embora muitos se restringem a apenas a utilizar teoria prontas copiada de outras já existentes, recheada de ideologias vazias, enquanto algumas exceções, respeitam a teoria em registro e executam na prática. É um documento vivo e eficiente na medida em que serve de parâmetro para discutir referências, experiências e ações de curto, médio e longo prazos.

Ao analisar os conteúdos das disciplinas, devemos ter em mente as seguintes questões (Learncafe)

1. O que a escola está ensinando?
2. Por que está ensinando tal conteúdo?
3. Qual a finalidade de ensinar isto?
4. Qual objetivo de aprende este conteúdo?
5. Qual sentido  de ensinar este assunto e não aquele outro?
6. Se há tantos conhecimentos no mundo e nem tudo cabe no currículo, quais critérios para selecionar os assuntos abordados?
7.  Quais valores incorporados nos livros didáticos?
8.  Há que os alunos são incentivados a fazer com os conhecimentos escolares? Ou são incentivados a não fazer nada?

Todo PPP  de qualquer escola é permeado por uma visão de mundo, e porquanto, por uma escolha política que privilegia um determinado conjunto de saberes, que necessariamente expressa um determinado conjunto de crenças e valores. Na escola democrática, os gestores, professores, alunos e suas famílias participam ativamente da redação e da revisão do PPP.

O que é preciso ter em mente é:  Que tipo de formação queremos para os nossos filhos?
A comunidade escolar é quem decide, porém quando a gestão da escola é autoritária, esse documento é regido por 'especialistas', sob discurso de neutralidade técnica, impondo seus próprios valores (a favor de alguns e contra outros).

"Neutralidade no ensino" - é questionável! Geralmente, quem faz uso desse termo, tenta ocultar posições ideológicas. Sabemos que toda educação é permeada de valores, e a neutralidade se faz a favor de uma escolha política.

Toda visão de mundo,parte de um ponto de vista

Como lidar com os condicionamentos ideológicos em sala de aula?
O rigor ético do educador deve condenar o cinismo, preconceitos, reproduções de ideias e opiniões de terceiros sem qualquer comprovação, acusações sem prova de que outro tenha expressado ideias e falas, imposição de falso testemunho para induzir a crença de outros numa falsa argumentação.
Esse tipo de situação é comum quando se trata de assuntos polêmicos, tais como discussões sobre religião, política, opção sexual, mitos, etc

A ética difere pureza e puritanismo, nem confunde respeito aos valores fundamentais da humanidade com moralismo.

Para Paulo Freire, moralismo é uma perversão da ética. E a única maneira de defender a ética na sala de aula, é por intermédio do exemplo. 

E como lidar com as divergências ideológicas na escola?
Paulo Freire responde que na maneira como lidamos com os conteúdos que ensinamos, no modo como citamos autores de cuja obra discordamos ou com cuja obra concordamos. Não podemos basear nossa crítica a um autor na leitura feita por cima de uma ou outra de suas obras. Pior ainda, tendo lido apenas a crítica de quem só leu a contracapa de um de seus livros. Posso não aceitar a concepção pedagógica deste ou daquela autora e devo inclusive expor aos alunos as razões por que me oponho a ela mas, o que não posso, na minha crítica, é mentir. É dizer inverdades em torno deles. O preparo científico do professor ou da professora deve coincidir com sua retidão ética. 

É importante que os educandos tenham acesso às várias interpretações dos fatos, nas mais diversas disciplinas, para que tenham condições de formular as suas próprias ideias. Conhecimentos não são petrificados. Ninguém sabe tudo. Os livros não trazem tudo. Não chegamos no ponto final do conhecimento. Nenhum saber deve ser absolutizado. Conhecimentos são pontos de partida. E uma boa formação se revela na capacidade de os alunos relacionarem, interpretarem e transformarem esses conhecimentos e aplicá-los em suas vidas. E para isso é preciso conhecer as divergências e ter consciência das contradições presentes em todo saber. Por isso é fundamental que os alunos percebam o respeito e a lealdade com que um professor analisa e critica as ideias e as perspectivas do outro.

Paulo Freire observou que toda e qualquer educação está permeada de valores, o discurso de neutralidade oculta uma escolha política a favor da permanência, sendo este um empenho deliberado para manter um determinado sistema de conhecimento, e consequentemente um determinado sistema social. Ressaltando que, muitas vezes, é uma forma de manter o sistema excludente que não abarca as diversidades e a universalidade garantida constitucionalmente. O PPP precisa ser flexível, aberto e acessível a todos.

Ensinar exige pesquisa - não há ensino sem pesquisa ou vice-versa

"Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade."

Faz parte da natureza da prática docente a indagação, a busca, a pesquisa.

Não há neutralidade na educação. O fato é que todo ensino está necessariamente carregado de ideologia, às vezes de forma explícita, mas na maioria das vezes de forma oculta.

Ensinar exige respeito aos saberes dos educandos

A escola precisa compreender os valores dos sujeitos, assim como de classes populares. São saberes construídos nas práticas comunitárias, contextualizar saberes e vivências, assim como aproveitar experiências distintas do meio em que vivem os educandos, correlacionar os conteúdos das disciplinas curriculares com a realidade social de modo a estimular a criticidade e o papel social dos sujeitos, discutindo implicações políticas e ideológicas.

Ensinar exige criticidade

Manter a curiosidade, porém exercer a criticidade, evitando o excesso de racionalidade. Sendo esta curiosidade ingênua e desarmada, referente ao senso comum. Mas a curiosidade como inquietação indagadora, como inclinação ao desvelamento de algo, como pergunta verbalizada ou não, como procura de esclarecimento, como sinal de atenção que sugere alerta faz parte integrante do fenômeno vital. Portanto, não haveria criatividade sem a curiosidade que nos move e nos excita.

Ensinar exige estética e ética

Mulheres e homens são seres histórico-sociais! Nos tornamos capazes de comparar, de valorar, de intervir, de escolher, de decidir, de romper, por tudo isso, nos fizemos seres éticos. Abster-se da ética é estar em transgressão. Compreende-se que 'transformar a experiência em puro treinamento técnico é amesquinhar o que há de fundamentalmente humano no exercício educativo: o seu caráter formador.'  Se há respeito a natureza humana, o ensino dos conteúdos não pode dar-se alheio à formação moral do educando.

Ensinar exige a corporeificação das palavras pelo exemplo
Corporeificação: dar corpo a palavra, fazer o que se fala

Para Freire, “pensar certo tanto implica o respeito ao senso comum no processo de sua necessária superação, quanto o respeito e o estímulo à capacidade criadora do educando." 

O que é pensar certo? "Pensar certo implica a existência de sujeitos que pensam mediados por objeto ou objetos sobre que incide o próprio pensar dos sujeitos." E mais, "a tarefa coerente do educador que pensa certo é, exercendo como ser humano a irrecusável prática de inteligir, desafiar o educando com quem se comunica e a quem comunica, produzir sua compreensão do que vem sendo comunicado. Não há inteligibilidade que não seja comunicação e intercomunicação e que não se funde na dialogicidade. 

O pensar certo por isso é dialógico e não polêmico."

Caminhos para pensar certo:
+ Busca seriamente o caminho da argumentação
+ Discorda do oponente sem nutrir sentimentos negativos pela oposição de pensamento
+ Aceitar a discordância

Ensinar exige risco, aceitação do novo e rejeição a qualquer forma de discriminação

"A prática preconceituosa de raça, de classe, de gênero ofende a substantividade do ser humano e nega radicalmente a democracia."

Ensinar exige reflexão crítica sobre a prática

A prática docente crítica (implicante do pensar certo), envolve o movimento dinâmico, dialético, entre o fazer e o pensar sobre o fazer. O pensar certo que supera o ingênuo tem que ser produzido pelo próprio aprendiz em comunhão com o professor formador. Na formação permanente dos professores, o momento fundamental é o da reflexão crítica sobre a prática, a fim de obter melhora progressiva. 

Quanto mais o sujeito faz sua auto-análise, tem uma maior percepção sobre si e com isso, permite mudanças e quebra de paradigmas. Estar disposto a mudar, ciente de que mudanças provocam  rupturas, a necessidade de tomar decisões e novos compromissos.

Ensinar exige o reconhecimento e a assunção da identidade cultural

Verbo assumir - verbo transitivo, pode ter como objeto o próprio sujeito que assim se assume.

Uma das tarefas mais importantes da prática educativo-crítica é propiciar as condições em que os educandos em suas relações (entre si e com os educadores), ensaiam a experiência profunda de assumir-se, seja como ser social e histórico e como ser pensante, comunicante, transformador, criador, realizador de sonhos, capaz de ter raiva porque é capaz de amar.

O respeito é absolutamente fundamental na prática educativa progressista.



SOLIDARIEDADE - Como princípio das práticas pedagógicas

E MAIS, COLABORAÇÃO, GOSTO PELO RISCO E EXPERIMENTAÇÃO, ÉTICA

EDUCAÇÃO NÃO É MERCADORIA!

EDUCAR É HUMANO!



Sinopse do livro: Na Pedagogia da autonomia, de 1996, Paulo Freire nos apresenta uma reflexão sobre a relação entre educadores e educandos e elabora propostas de práticas pedagógicas, orientadas por uma ética universal, que desenvolvem a autonomia, a capacidade crítica e a valorização da cultura e conhecimentos empíricos de uns e outros. Criando os fundamentos para a implementação e consolidação desse diálogo político-pedagógico e sintetizando questões fundamentais para a formação dos educadores e para uma prática educativo-progressiva, Paulo Freire estabelece neste livro novas relações e condições para a tarefa da educação.


REFERENCIA

FREIRE, P. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa / Paulo Freire. – São Paulo: Paz e Terra, 1996. – (Coleção Leitura)

Curso Learncafe - Pedagogia da Autonomia 

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Como deve ser um bom livro infantil



Características de um bom livro infantil:

01. Ser instigantes e provocadores (quanto à temática). Temas atraentes instigam o leitor por si só.

02. Despertar o senso crítico das crianças e provocar discussões acerca do tema, promovendo a socialização.

03. Estimular a imaginação. Fazer o leitor viajar sem sair do lugar!

04. Ter boa qualidade gráfica (explorar diagramações). A fuga do senso comum é essencial.

05. Evitar diagramação histérica e ilustrações literais. Provocar uma análise, não poluir as páginas com o óbvio.

06. Permitir vários níveis de interpretação (interação com o texto). Tornar o leitor num agente ativo e interacionista.

07. Conter ética, estética e emoção (“Santíssima trindade”, segundo Tatiana Belink).

08. Estimular a criança a pensar por si só (levantar questionamentos). 

09. Estimular a curiosidade e a crítica.

10. Propor abertura e fechamento, pois ideias soltas não prendem atenção. 

11. Ter estética (bem escrito e com diagramação caprichada). Porque organização e criatividade são essenciais.

12. Ter acabamento gráfico primoroso. O conjunto da obra faz toda a diferença!

13. Gerar sentimentos diversos - compaixão, tristeza, curiosidade, excitação, esperança...

14. Ter linguagem sem pieguices e vocabulário rico. O leitor necessita de desafios! Considerar que aprender novas palavras faz parte.

15. Ter texto fluente, harmonioso e evitando o óbvio (linguagem trabalhada sem subestimar a capacidade do leitor).

16. Desperta a curiosidade e memórias. Fazer conexões com a realidade e o cotidiano tornam a leitura mais atrativa.

17. Ser atraente para todos as faixas etárias. Não importa se é para crianças, é importante cativar a todos os públicos

18. Evitar nomes e títulos óbvios.

19. Evitar moralizar a criança. O ensino de valores éticos e morais é de pais e responsáveis, essencialmente.

20. Evitar infantilização e excesso de diminutivos.

Diversidade: Entendendo a guerra na Síria

Grupo de estudo: 


A Guerra na Síria é tema do grupo de estudo em que participo na FSB-PR sob orientação da Mestra Marli Barros. O enfoque maior é dado à velha cidade de Aleppo. Para compreender esta história, realizei pesquisas acerca do tema utilizando o site Politize, informações da BBC e outros. Meu intuito é compreender as motivações políticas, consequências e interesses ligados a temática em questão. 

Aleppo, antes e depois. Imagem do site Tendencee

Mais imagens do antes/depois de Aleppo em: Tendencee

A Síria é governada pelo ditador Bashar al-Assad desde 2000 e pela família al-Assad desde a década de 1970. Apesar de não apoiarem o ditador, os cristãos, os xiitas e até parte da elite sunita preferem ver Assad no poder diante da possibilidade de ter um país tomado pelos extremistas. 

Uma das primeiras forças internas que se rebelou contra o governo sírio foram os grupos sunitas, que se opunham a Assad (que é xiita). Os sunitas têm dezenas de ramificações e ideologias, mas unem-se com o princípio básico de derrubar Assad. São chamados de “rebeldes moderados”, por não serem adeptos do radicalismo islâmico. A maior expressão entre eles é o Exército Livre da Síria (ELS). Grupos que atuavam nos protestos uniram-se aos militares desertores, representados pelo ELS, constituído por milícias armadas que objetivavam revidar a ação violenta do governo e expulsar as tropas do exército sírio de suas cidades. Todavia, Bashar Al-Assad não recuou e aumentou ainda mais a repressão no país.

Quanto às alianças externas, Assad conta com o apoio do Irã e do grupo libanês Hezbollah. Juntos eles formam um “eixo xiita” (seguem essa interpretação da religião islâmica no Oriente Médio). O grupo se opõe a Israel e disputa a hegemonia no Oriente Médio com as monarquias sunitas, lideradas pela Arábia Saudita. 

O principal aliado de fora é a Rússia, que mantém uma antiga parceria com a Síria. Tanto o apoio do Hezbollah e das milícias iranianas, quanto os bombardeios mais recentes realizados pelas forças russas têm sido fundamentais para a sobrevivência do regime de Assad e o seu recente fortalecimento no conflito.

Forças de segurança sob comando dos líderes dos países árabes continham os ditos rebeldes e o povo vivendo em dificuldades, tinha o dinheiro público monopolizado pelos poderosos que comandavam o país.

Entre os anos de 1950 e 1970, os países da região árabe mantiveram-se sob o comando de regimes repressores, os quais não permitiam a formação e desenvolvimento de uma oposição política. Assim, os movimentos islamistas aproveitaram o vazio provocado por essa limitação. 

Os protestos na Síria contra o governo de Bashar al-Assad foram motivados pela onda de protestos que se espalhou pelos países árabes a partir de 2010, em que pediam reformas no governo e  mais democracia. Também, que houvesse a instituição do pluripartidarismo em oposição ao governo autoritário e corrupto existente, criação de mais empregos, redução de juros para possibilitar a aquisição de itens básicos de necessidade pessoal e coletiva (ex.: alimentos), qualidade de vida para população, dentre outras solicitações.

Os protestos pró-democracia começaram em março de 2011, na cidade de Daraa, após a prisão e tortura de adolescentes que haviam pintado slogans revolucionários no muro de uma escola. E a batalha logo chegou na capital, Damasco. A repressão do governo de Bashar al-Assad foi violenta, os protestos espalharam-se por toda a Síria, inclusive em sua maior cidade, Aleppo, no ano de 2012.

O confronto militar em Aleppo foi iniciado em 19 de julho de 2012, como parte da Guerra Civil Síria. Marcado pelo uso de bombas de barril jogadas de helicópteros pelo exército sírio, ocasionou a morte de milhares de pessoas e causou a evacuação de centenas de milhares de outras. Esta batalha causou uma destruição catastrófica. 

Essa guerra é considerada um dos grandes desastres humanitários dos últimos anos.
"Moderados seculares hoje são superados em número por islâmicos e jihadistas, adeptos de táticas brutais que motivam revolta pelo mundo" (BBC).
Aleppo, já foi a capital econômica da Síria, virou o símbolo da guerra que devasta o país.

"Num primeiro momento, simpatizantes dos que se rebelaram contra o governo começaram a pegar em armas – primeiro para se defender e depois para expulsar as forças de segurança de suas regiões. Esse levante de pessoas nas ruas, lutando por democracia, faz parte de um movimento chamado Primavera Árabe e podemos dizer que esse processo culminou no início da guerra civil na Síria." (Politize!)

 Primavera Árabe: movimentos pró-democracia ocorridos em países do Oriente Médio e do norte da África que surgiram devido aos problemas demográficos e estruturais enfrentados pelos povos árabes.



Segundo a investigação conduzida pela comissão da ONU, liderada pelo brasileiro Paulo Sério Pinheiro, o regime do ditador Assad foi responsável pela tortura e morte de milhares de pessoas, inclusive crianças. Ele informou que não há dúvida de que soldados não conduziram essas operações sem o conhecimento de seus superiores. Pelas testemunhas que aceitaram falar com a comissão, está claro que as ordens de massacrar os protestos da forma que fosse necessária vinha da cúpula.

A ONU declarou que a guerra na Síria se intensificou de modo indiscriminado e desproporcional, tanto quanto as violações dos direitos humanos. Já são mais de 250 mil mortos. Já o Centro Sírio para Pesquisa Política fala em mais de 400 mil óbitos em decorrência do conflito.

Facções extremistas islâmicas, fragmentadas em diversos grupos, estão entre os que querem derrubar Assad . Uma das organizações que mais conquistaram terreno, principalmente nos primeiros anos do conflito, foi a Frente Al-Nusra, um braço da rede extremista Al Qaeda na Síria.

Em 2014, o Estado Islâmico dominou áreas na Síria e no Iraque, as denominou de califados (referindo-se aos antigos impérios islâmicos depois de Maomé, seguidores rigorosos das leis islâmicas).

O Estado Islâmico aproveitou o vácuo de representação por parte do governo, a revolta da sociedade civil e a guerra brutal ocorrida na Síria para fazer seu espaço, ocuparam metade do território sírio. Para isso, enfrentaram rebeldes e rivais jihadistas da Frente al-Nusra, ligada à Al-Qaeda, bem como o governo e forças curdas.

Há os Curdos, uma etnia sem Estado e sem território próprios, constituídos por um grupo de 27 a 36 milhões de pessoas que vivem em diversos países, inclusive Síria. Eles reivindicam a criação de um Estado para o seu povo (Curdistão). Desde o início do conflito sírio, a Unidade de Defesa Popular (uma milícia) foi criada com o objetivo de defender as regiões habitadas pelos curdos no norte do país. Eles se fortaleceram a ponto de dominar um grande território próximo da fronteira turca na atualidade. São considerados úteis ao regime de Assad, pois se opõe tantos aos rebeldes moderados quanto aos extremistas do Estado Islâmico.

Existem provas de que todas as partes envolvidas cometeram crimes de guerra (assassinato, tortura, estupro e desaparecimentos forçados). Tanto quanto foram acusadas de causar sofrimento civil, por promover bloqueios que impedem fluxo de alimentos e serviços de saúde, como tática de confronto. 

Em 2014, devido ao avanço do Estado Islâmico no ganho de territórios, os Estados Unidos fizeram ataques aéreos na Síria em tentativa de enfraquecê-lo, evitando ataques que pudessem beneficiar as forças de Assad. Assim começou uma campanha aérea no Iraque e na Síria, com apoio de Canadá, França, Reino Unido e vários países árabes.

Em 2015, a Rússia fez o mesmo contra terroristas na Síria, mas ativistas da oposição dizem que os ataques têm matado civis e rebeldes apoiados pelo Ocidente. A Síria é um importante comprador de armamentos da Rússia, e oferece ainda ao país a base naval de Tartus, única instalação russa no mar Mediterrâneo.

Em julho de 2015, uma trégua entre o governo turco e o PKK foi interrompida após um atentado suicida em Suruc, povoado curdo em território turco, perto da fronteira com a Síria. Os curdos atribuíram o atentado, que deixou 32 mortos, a uma suposta conspiração entre Ancara e Estado Islâmico, algo que a Turquia nega.

Por que a Síria é o território de fogo cruzado dessa guerra fria?

Rússia e os Estados Unidos querem o fim do Estado Islâmico. Porém, os Estados Unidos querem a queda do governo de Bashar Al-Assad, pois considerarem que seu regime não-democrático é prejudicial à Síria e, por isso apoia os rebeldes; por outro lado, a Rússia acredita na força de Assad e está apoiando seu regime. 

Aliados e inimigos  

Os EUA estão em desacordo com a Rússia pelo destino do presidente Assad, aliado de Moscou que Washington deseja fora do poder. Um dos aliados ocidentais dos Estados Unidos é a França e outros países com diferentes níveis de envolvimento são Irã, Turquia e nações do Golfo Pérsico. Ocorreu uma inesperada aproximação entre EUA e Irã, unidos pela aversão a extremistas sunitas, todavia distanciados pelo apoio iraniano a Assad e à guerrilha libanesa Hezbollah, considerada organização terrorista pela Casa Branca. Integram a coalizão liderada pelos EUA: Bahrein, Jordânia, Catar e Emirados Árabes Unidos, todos em linha com a atuação saudita.

O Irã é aliado histórico do governo de Assad, a quem fornece armas, apoio militar e financeiro. Para o esse país, a subordinação de Assad é chave para impor freio à influência de seu grande rival na região

Arábia Saudita, que por sua vez, se opõe a Bashar Al-Assad e apoia os rebeldes sunitas. É uma potência sunita e grande rival do Irã, integra desde o início a coalizão liderada pelos EUA para atacar o Estado Islâmico. 

Turquia, de maioria sunita, é outra potência da região. Apoia a coalizão liderada pelos EUA e rebeldes. Seu envolvimento no conflito do país vizinho começou ao apoiar ao Exército Livre da Síria, um dos principais movimentos rebeldes contra Assad. Esse país ataca posições de milícias curdas na Síria, as Unidades de Proteção do Povo Curdo (YPG), braço armado do Partido da União Democrática (PYD), aliado tradicional do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), perseguido há 30 anos na Turquia por buscar autonomia curda no país. Em paralelo, o governo turco conserva boas relações com o Governo Regional do Curdistão no Iraque (KRG), os peshmerga (forças armadas do KRG) e o Partido Curdo no Iraque (KDP). Enquanto isso, no teatro de operações na Síria e no Iraque, curdos turcos, curdos iraquianos e governo turco estão contra o Estado Islâmico.

Segundo a BBC, a estratégia da Turquia para Kerem Oktem (professor da Universidade de Graz, na Áustria) é "simular que luta uma guerra contra o Estado Islâmico e perseguir outra meta, que é destruir o PKK". Em entrevista à BBC, Cemil Bayik (líder do PKK) disse que a Turquia ataca forças curdas para evitar que combatam o Estado Islâmico. Ele diz acreditar - e há outras opiniões nesse sentido - que Ancara esteja protegendo o Estado Islâmico em vez de combatê-lo.

A Convenção de Genebra de 1951, define refugiado a “pessoa que foge em função de um bem embasado medo de perseguição devido à raça, religião, nacionalidade, pertencimento a um determinado grupo social, ou opinião política”.

Motivo pelo qual a maioria se refugia na Europa

Muitos fugiram em busca de abrigo nos países da Europa, África e Oriente Médio. A Europa é mais visada pelos refugiados, porque o nível de vida nesses países é superior quando comparados à África e ao Oriente Médio. Outra razão, é pela facilidade geográfica na passagem de um continente para o outro que estimula a imigração e o intercâmbio entre as nações. Deve-se considerar que os países que hoje possuem grandes setores da sua população se dirigindo à Europa na fuga de guerras ou em busca de oportunidade, são os mesmos países que foram colonizados pelos próprios europeus na segunda grande onda colonizadora e imperialista moderna: aquela que começa no fim do século XVIII e se intensifica no século XIX pelas grandes potências capitalistas (Inglaterra, França, Holanda, Bélgica, etc.)

Sírios refugiados no Brasil

Os dados do Comitê Nacional para os Refugiados (CONARE), do Ministério da Justiça, mostram que em cada quatro refugiados no Brasil um é sírio.(G1). O número de concessões de refúgio aos sírios em 2015 representa 43% do total de solicitações aceitas (1.231). 

Leia mais:


quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Um novo desafio e uma realização

Estamos sempre em busca de novos desafios e agora, aos 34 anos (quase 35), resolvi me permitir arriscar uma realização acadêmica, a graduação em Pedagogia. Claro que idade não é empecilho para ninguém mudar de área ou recomeçar seja lá o que for. Em 2011, conclui a graduação de Enfermagem, mas ciente de que profissionalmente jamais me sentiria plenamente feliz, fui mais longe com uma Especialização em Saúde Pública, além das dificuldades quanto à mercado de trabalho, não conseguia me enxergar no exercício das atividades assistenciais, então a escolha pelo campo mais burocrático. Porém sempre fui inclinada ao exercício de lecionar, já trabalhei inclusive como "professora de banca", com chamamos na Bahia (minha terra linda, quanta saudade!). Por motivo de transferência do meu marido, mudamos para Curitiba, cheguei há pouco mais de um mês (04/07). Enfim, iniciei o semestre no dia 31/08/2017 na FSB-PR. Farei desse blog, meu espaço de compartilhamento sobre assuntos referentes à Pedagogia, tais como estudos, vídeos, pesquisas, eventos, dentre outros assuntos.